FENOMENOLOGIA (1982:76-77)

SCHÜRMANN, Reiner. Le principe d’anarchie. Heidegger et la question de l’agir. Paris: Seuil, 1982.

Desde o início, a fenomenologia é para Heidegger algo mais do que um método. Ele a vê como uma possibilidade, um “potencial”. Husserl libertou um poder de investigação que precisa ser desenvolvido e radicalizado. “Acima da realidade existe a possibilidade. A compreensão da fenomenologia reside unicamente no fato de a compreendermos como possibilidade.” (SZ 38) Para saber como o “affaire mesmo” para o qual Husserl conduziu o olhar pode acabar por ser identificado com as economias de presença, precisamos fazer uma divisão. Se a fenomenologia é um potencial de pensamento, é porque, na pesquisa de Husserl, há o ser tomado e o a ser deixado. O “apriorismo” é o método de toda a filosofia científica que se compreende a si própria [SZ:50]. É este recuo transcendental em direção a um a priori que, na fenomenologia, deve ser retido. Mas que a priori e que recuo transcendental? E o que é que deve ser deixado para trás? Seguindo o fio condutor da temporalidade, veremos que o a priori sofre uma metamorfose à medida que se constitui o affaire próprio da fenomenologia de Heidegger.