Uma consideração mais elaborada do aspecto político da existência poderia atenuar o juízo severo sobre a época contemporânea, direção não seguida por Heidegger mas explorada por Eric Weil e Enmanuel Lévinas, permanecendo contudo válida a constatação heideggeriana de que o homem moderno, seja rebelde, hippie, tecnocrata ou francotirador, domina tecnicamente a terra e planeja a história sem poder dizer simplesmente o que é que algo seja.
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Heidegger não desenvolve análise política sistemática.
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Eric Weil e Enmanuel Lévinas avançam nessa direção.
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Incapacidade contemporânea de dizer o sentido do ser.
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Em movimento crítico, Heidegger busca as condições de possibilidade da “noite do mundo” no retiro originário do ser, tão antigo quanto a metafísica e tornado manifesto no seu ocaso, revelado pela transmutação nietzscheana dos valores e pelo nihilismo que expõe o fundamento metafísico como disponibilidade.
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Abandono presente desde o início do Ocidente.
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Transmutação de todos os valores em
Nietzsche.
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Fundamento pensado funcionalmente a partir do ente.
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Insegurança como traço antigo do nihilismo.
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Metafísica como exigência de razão última.
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Esse como fundamento do ens.
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Questionamento se tal fundamento é o ser em sua verdade.
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A resposta indireta de
Nietzsche segundo a qual o ser não é, entendida como constatação da morte do que fazia ser, conduz Heidegger a ler conjuntamente o colapso do Esse como razão última e a hipertrofia da vontade que só se tem a si mesma como sujeito, interpretando ambos como duas faces de uma mesma reivindicação metafísica e como manifestação do abandono do ser, unsere Verlassenheit vom Sein.
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Esse morto e ente como vontade de querer.
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Unidade entre perda do fundamento e desmesura da vontade.
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Desaparecimento das razões tradicionais.
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Pergunta pelo poder de fundamento das razões.
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Olvido secular do ser.
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Esse não coincide com o ser em sua verdade.
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A primeira acepção de abandono designa o fato de que a filosofia, ao explicar o ente por sua arché e seu télos e ao identificar o ser com a totalidade dos entes ou com Deus, deixou impensada a questão do ser mesmo, de modo que a perda contemporânea não é apenas de fundamentos particulares, mas do próprio ser, das Sein Selbst bleibt aus.
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Ser confundido com ente supremo ou totalidade.
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Ser como impensado da tradição.
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Filosofia do a priori certificando o ente.
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Ser pensado a partir do ente e em vista do ente.
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A época abandonada pelo ser, que se estende por mais de dois milênios e culmina no século tecnológico, revela a queda do impulso autêntico da interrogação do “enquanto que”, mostrando em
Heráclito,
Platão,
Nietzsche e Heidegger as etapas do mesmo destino de Seinsverlassenheit e abrindo a possibilidade de um pensamento do ser em si que transforme o abandono de esquecimento em abandono como gelassen, aproximando-se novamente de Meister
Eckhart.
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Século tecnológico como ápice do abandono.
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Interrogação “sem por quê” ao fim do nihilismo.
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Retiro do ser como destino único do Ocidente.
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Gelassen como abandono escutante e memorioso.
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Referência final a Meister
Eckhart.