Quanto às palavras, torna-se necessário aprender uma sintaxe correspondente à dobra destinal da época, pois as línguas ocidentais são línguas do pensamento metafísico e permanece em aberto se sua essência é metafísica em si ou se comportam outras possibilidades de dizer.
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Se existirem outras possibilidades, elas devem liberar o falar natural da onto-teo-logia e, para isso, desembaraçar-se da gramática ditada pela metafísica.
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A língua a aprender exigiria renúncia ao pros hen fundamental, isto é, ao modelo de atribuir predicado a sujeito, porque tal modelo organiza a inteligibilidade ocidental sob o regime dos princípios.
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Um falar correspondente à economia bifronte insinuaria instabilidade análoga ao declínio dos princípios epocais, dando a esse declínio sua verdadeira amplitude.
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O aprendizado que tornaria “simples e calma” a relação com a tecnologia é necessariamente coletivo, tanto por sua natureza linguística quanto porque responder à essência da técnica não pode ser assunto individual.
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Se a tecnologia permanece ligada aos princípios em altura mas já porta um germe anárquico, então liberar as palavras de seu ordenamento metafísico implica abalar modelos linguísticos basilares da civilização que se descobre deslocada para fora da onto-teo-logia.
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A abertura do Dasein à essência bifronte da técnica impede compreender Dasein como sujeito individual, pois o próprio problema é de ordem pública de escuta e fala.
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A impossibilidade atual de vincular palavras fora do pros hen instrui sobre o tempo necessário para que uma economia pós-moderna se liberte de sobredeterminação por princípios e para preparar uma economia sem princípios.
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Uma tradução essencial, übersetzen, é requerida para entrar na constelação da época, como passagem de uma margem a outra, e a cada época do destino do ser corresponde uma tradução no modo como a língua fala dentro desse destino.
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O “ou… ou” decisivo diz respeito a ouvir as injunções da época de fechamento e desaprender a gramática do pros hen, pois somente assim se alcança, para além do discurso sobre tecnologia, um relacionamento com sua essência.
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A ordem metódica é fixada: primeiro responder à essência da tecnologia, depois indagar se e como o homem pode dominá-la, de modo que a primazia recai no ouvir e no falar, e não em um programa privado.