A unidade – ou antes: a identidade – do objeto apreendido não se deve, para
Husserl, à identidade da autoconsciência (da apercepção transcendental no sentido de
Kant) porque ela é “algo demasiado vazio e indeterminado para poder responder pela unidade determinada que encontramos fenomenologicamente”, mas a uma “unidade sintética da apreensão” que dá e desdobra o objeto em sua “continuidade”; essa apreensão não é uma intenção que recobre post factum uma “multiplicidade dispersa” de atos, mas funda essa unidade do objeto que a “unidade da interpretação apreendente” encontra sempre já em sua presença.