Richir: “Sob sístole pode-se entender o 'salto' da afetividade no 'momento' do sublime, sendo esse 'salto' uma interrupção esquemática em que a afetividade 'momentaneamente' solta de todo laço coloca-se a si mesma hiperbólica e 'momentaneamente' em um estado de alta densidade e reflete-se a si mesma – ainda 'momentaneamente' – de modo completamente sem conceito, em seu excesso, cujo horizonte é a transcendência absoluta, que abre a questão do sentido na medida em que ela é inevitavelmente fugaz, inapreensível, irrepresentável e portanto inacessível e radicalmente indeterminada. Se esse 'momento' durasse, a afetividade se perderia nele como em um 'buraco negro', sem que esse processo pudesse ser revertido: isso significaria então uma espécie de 'morte psíquica'. À sístole, porém, 'segue-se' ao contrário imediatamente a 'diástole', que constitui o relaxamento da mesma […], que já é esquemática na medida em que é imediatamente retomada pelo esquematismo, que assim não apenas modula, nas fantasias 'perceptivas', a afetividade em afecções, mas também distribui correlativamente o sentido demasiado massivo e excessivamente abundante em 'fragmentos de sentido' plurivocais, mantidos pelo sentido que agora se anuncia e para o qual ao mesmo tempo tendem, sendo que o 'momento' do sublime continua a intervir, porém fungindo ou melhor: como um sentido virtual.”