A segunda função imagética é a “reflexão”: os problemas suscitados pela primeira função imagética – em que medida ela relaciona um “sujeito” a um “objeto”?; o que fundamenta que essa imagem esteja “aquém” das cisões entre “representação” e “coisa” e entre “consciência” e “inconsciente”?; o que justifica a “duplicação” do mundo em uma imagem? – encontram resposta nas outras duas funções imagéticas.
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A reflexão não designa o fato de um sujeito retornar sobre si mesmo, mas inclui a abertura de uma distância e a descoberta de um si mesmo (que até então se exprimia apenas implicitamente); em realidade, o mundo não é compacto e fechado, mas instável, e essa instabilidade é antes de tudo a da experiência que dele fazemos.
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Refletir sobre o mundo equivale à abertura de uma distância que se revela como uma distância do si mesmo frente a si mesmo; mas essa reflexão não é uma reflexão de um sujeito sobre algo, e sim uma autorreflexão (interiorizada) da imagem, da primeira imagem (sobre e em si mesma).
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Primeira tese fundamental: o si mesmo emerge propriamente na autorreflexão do mundo como imagem (autorreflexão que inclui os “fatores de perturbação” pelo “Outro”); isso significa que na primeira função imagética não é uma consciência, um sujeito (“humano”) etc. que se refere a um objeto, mas que essa primeira função é de fato anônima – de modo que, estritamente, não se pode ainda afirmar que o ser humano faz uma imagem do mundo, mas apenas que o mundo se faz imagem a si mesmo.
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A questão fundamental da antropologia fenomenológica não é como um sujeito humano pode relacionar-se com o mundo, mas como essa função imagética pode se individualizar em um indivíduo humano.
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Para que a unidade buscada se instale, a primeira imagem deve se retirar ou se subtrair; reencontramos aqui o duplo aspecto “plástico” já mencionado: de um lado, a (primeira) imagem se revela como instabilidade (e por isso deve ser dela tomada distância, ela deve ser aniquilada em sua compacidade e fechamento), o que gera, primeiramente de modo “negativo”, a “distância” (constitutiva de toda “alteridade”, de toda “estranhamento”, que ainda não traz o Outro à cena, mas possibilita que o Outro “opere” nessa distância originária); de outro lado, o que resta é o “si mesmo” reflexivo.
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A segunda função imagética produz ao mesmo tempo uma aniquilação (do mundo em sua suposta estabilidade, em cujo lugar entra a distância) e uma produção (o aparecimento do si mesmo); com isso, a unidade do mundo (como imagem) não é posta por uma síntese post factum, mas fenomenologicamente geneticizada.