Esse “fenômeno” é único – e a fenomenologia generativa depara assim com um “Urfenômeno” que, no nível constitutivo mais profundo de todo saber, se opõe à multiplicidade dos fenômenos descritíveis (conforme os dois significados do fenômeno em
Husserl) e se revela como um – certamente paradoxal – “singulare tantum” diferenciado (no sentido principalmente do “eu absoluto” no
Fichte inicial, mas também do “evento” no Heidegger tardio – M. Heidegger, Identität und Differenz, Pfullingen, Neske, 1957, S. 25). O uso do conceito de “Urfenômeno” aqui nada tem em comum com o dos trabalhos tardios de
Husserl nem com a filosofia das formas simbólicas de Cassirer; pode aproximar-se do sentido que tem em
Goethe e ser relacionado ao que
Schelling nas Weltalter chama “Urwesen”, ou ainda ao que R. Alexander denomina “Ogkorhythmus” em suas investigações sobre
Richir.