Na segunda parte das lições, Heidegger desenvolve, como um enclave único em sua obra, uma filosofia da natureza, respondendo ao desafio das antropologias filosóficas de
Scheler e
Plessner, que situavam o homem no contexto natural sem naturalizá-lo.
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Ele investiga a diferença ontológica no “ter mundo”: a pedra é “sem mundo” (weltlos); o animal é “pobre em mundo” (weltarm), embargado em seu “anel desinibidor” (Umring) ambiental; o homem é “formador de mundo” (weltbildend).
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A abertura do homem para o mundo é um “espaço de jogo” (Spielraum) ou liberdade, onde o ente pode se apresentar desde o horizonte do possível e do aniquilador, ganhando contorno, agudeza e singularidade. Só o homem, familiarizado com a nada, experimenta a presença como tal.
Esta abertura é o “lugar aberto” (die offene Stelle) no homem, onde a natureza, segundo o pensamento de
Schelling retomado por Heidegger, “abre os olhos e nota que está aí”. Sem o homem, o ser seria mudo.
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As lições, que começaram com o arrebatamento pálido do tédio, terminam no arrebatamento oposto do entusiasmo filosófico: “O homem é aquele não poder permanecer e ao mesmo tempo não poder mover-se do lugar… E só onde há a periculosidade do estremecimento, há também a felicidade da admiração, aquele arrebatamento desperto que constitui o alento de todo filosofar”.