A secessão do evento de todo fato anterior por seu próprio surgimento.
O evento como puro jorro de si em si, imprevisível em sua novidade radical.
A instauração retrospectiva de uma cisão de todo o passado.
O nunca mais ser o mesmo mundo, com suas possibilidades e impossibilidades articuladas.
O evento que, ao se iluminar por sua própria luz e ao sobrevir fora de toda medida prévia, reconfigura a cada vez o mundo para aquele a quem ele sobrevém.
A distinção entre o fato e o evento quanto ao horizonte.
Toda coisa e todo fato sendo encontrados sob um horizonte, anunciando-se sob a luz de seu contexto.
O evento que nunca é encontrado sob um horizonte, sendo o horizonte de seu encontro.
A capacidade de todo fato e todo ente serem encontráveis no mundo se advêm no aberto de sua mostração.
O evento como aquilo que se abre a si mesmo, dando acesso a si.
O evento que, longe de se submeter a uma condição prévia, fornece a condição de seu próprio advento.
A incompreensão da auto-originação e absolvição do evento de toda causalidade antecedente sem uma análise de sua temporalidade.
A definição de uma causa: um fato, uma coisa ou um estado-de-coisas a partir do qual se efetua um possível pré-existente no horizonte do mundo.
O que constitui a eventualidade de um evento:
Não sua efetuação intramundana (que poderia, na verdade, dar lugar a uma etiologia explicativa).
A carga de possibilidades que ele porta em si e traz consigo.
A carga que o impede de se reduzir a um fato no mundo.
O evento que não cumpre um possível prévio, mas possibiliza o possível.
O sentido etimológico: eventum (o que advém) apresentando algo irremediavelmente excessivo em relação a todo factum (o “tudo feito”, o cumprido, o acabado).
O evento que não pertence à efetividade do fato, mas à possibilidade, ou à possibilidade de tornar possível, à possibilização.
O evento distinto do fato que sobrevém no presente cumprido e definitivo.
O evento como o que se mantém em reserva em todo fato e toda efetuação.
A reserva que confere ao fato sua carga de possibilidades e, por conseguinte, de futuro.
A reserva que retransfigura o mundo até introduzir um excedente de sentido inacessível a toda explicação.
As causas do encontro, mesmo sendo determináveis, que não explicam em nada o encontro como evento.
A não explicação de seu teor de sentido eventual.
A não explicação do que, neste encontro, transtornou a quem ele ocorreu para sempre.
O evento que transcende irremediavelmente a trama causal na qual ele se inscreve, no entanto, como fato.
O evento que se origina a si mesmo, transcendendo sua própria efetuação e possibilizando o possível.
O sentido de origem (origo, [Ursprung→/definitions?search=Ursprung]):
O que se levanta (orior) e se eleva por um salto (Ursprung) que rompe com toda proveniência.
A fonte viva, o puro jorro distinto de toda causa (Ursache).
A causa que significa sempre o remeter a outra coisa ([Sache→/definitions?search=Sache]) de onde o resto procederia.
O evento que rompe a trama causal:
O contexto (“mundo” no sentido eventual) que não o explica.
O evento que, inversamente, ilumina seu próprio contexto conferindo-lhe um sentido que ele não prefigurava.
O mundo como a totalidade das possibilidades interpretativas a partir das quais os fatos se tornam compreensíveis.
O evento como aquilo que rompe o horizonte dos possíveis prévios.
A introdução de um sentido incompreensível à luz de toda explicação causal.
O evento que traz consigo seu próprio horizonte de inteligibilidade.
O evento que obriga o adventício a compreender de outra maneira a si mesmo e seu mundo.