A elaboração do conceito de “
mostração” (a partir de Claudel e da noção hegeliana de
Erscheinung) para nomear a manifestação do evento como puro “se produzir” a partir de si mesmo.
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A citação da definição de
Hegel: “A mostração (
Erscheinung) é o nascer e o desaparecer que ele mesmo não nasce nem desaparece”.
O terceiro aspecto: “o sentido desta atribuição ôntica privilegiada ao adveniente que varia em função do tipo de evento em questão, assim como as relações que aqui entram em jogo entre o evento, o adveniente e o mundo”.
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A distinção fundamental entre o fato intramundano e o evento no sentido propriamente evental (
événemential).
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A caracterização do fato intramundano: ele tem um sujeito de atribuição privilegiado (o
adventício), mas este não é posto em jogo em sua ipseidade.
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O advneniente é “puro espectador”, “implicado sem dúvida no espetáculo, mas não ao ponto de se compreender a si mesmo a partir do evento”.
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A intercambialidade do testemunho: “este relâmpago poderia ser visto indiferentemente por qualquer outro ou por mim mesmo sem que sua tensão fenomênica de sentido fosse de modo algum alterada”.
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A caracterização do evento propriamente evental: ele é sempre
endereçado e implica insubstituivelmente aquele a quem advém.
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A diferença crucial: “enquanto o fato intramundano, com efeito, não se dirige a ninguém em particular e se produz indiferentemente para toda testemunha, o evento é sempre endereçado”.
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A implicação estrita do adveniente: “aquele que compreende o que lhe advém como lhe advindo precisamente a ele mesmo está ipso facto engajado naquilo que compreende”.
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A não-objetividade do evento: “o evento nunca é 'objetivo' como pode sê-lo o fato, ele não se presta a nenhuma observação imparcial”.
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A elaboração da tarefa de uma hermenêutica evental da aventura humana.
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A definição da tarefa: “Esta hermenêutica eventalista da aventura humana à luz do evento tomado em seu sentido propriamente eventalista constitui a tarefa primeira e última de uma fenomenologia do evento”.
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O recurso à etimologia de “evento” (evenire) como “sobrevir” e “incumbir” (échoir) a alguém.
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A exemplificação através do evento do luto: a morte de um próximo como fato objetivo versus o luto como evento que me alcança insubstituivelmente.
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A análise: “o fato ele mesmo é para mim um evento, na medida em que a perda do ente querido, ao me atingir em pleno coração, transtorna a totalidade dos possíveis que se articulam para mim em mundo”.
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A reconfiguração do mundo: “o evento não é nada além desta reconfiguração impessoal de meus possíveis e do mundo que advém em um fato e pela qual ele abre uma falha em minha própria aventura”.
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A solidão eventalista: “como todo evento verdadeiro, aquele da perda de um próximo me deixa só, irremediavelmente: só diante do evento que me incumbe em pessoa e não é destinado em próprio senão a mim mesmo”.
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A conciliação da neutralidade do evento com seu caráter endereçado e a questão da contrapartida positiva da indeterminação do fato intramundano.
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A síntese: “de uma parte, o evento em si mesmo é neutro, pois é o que advém em fato, em um fato, mas de outra parte, por seu sentido mesmo, ele aparece indissociável de um endereço ou de uma destinação”.
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A diferença principial com o fato: “embora neutro com relação a mim mesmo, o evento, ao contrário do fato, nunca pode ser
ob-jeto (entendido etimologicamente como puro vis-a-vis:
Gegenstand)”.
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A retomada da terceira determinação do fato intramundano: “a indeterminação de sua atribuição ôntica tem por contrapartida positiva o contexto eventalista no qual ele aparece, e em relação ao qual ele toma sentido – o que designamos, de maneira ainda obscura, como seu 'mundo'?”.