A distensão consiste no contraste entre três tensões, sendo o parágrafo 28, 38, sozinho, a joia do tesouro que são os parágrafos 26, 33-30, 40, marcando o exemplo do canto o ponto de articulação da teoria da distentio sobre a do triplo presente
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Cita-se o parágrafo inteiro — Je me prépare à chanter un chant que je connais. Avant que je commence, mon attente se tend (tenditur) vers l'ensemble de ce chant; mais, quand j'ai commencé, à mesure que les éléments prélevés de mon attente deviennent du passé, ma mémoire se tend (tenditur) vers eux à son tour; et les forces vives de mon activité (actionis) sont distendues (distenditur), vers la mémoire à cause de ce que j'ai dit, et vers l'attente à cause de ce que je vais dire. Néanmoins mon attention (attentio) est là, présente; et c'est par elle que transite (traicitur) ce qui était futur pour devenir passé. Plus cette action avance, avance (agitur et agitur), plus s'abrège l'attente et s'allonge la mémoire, jusqu'à ce que l'attente tout entière soit épuisée, quand l'action tout entière est finie et a passé dans la mémoire
A distentio não é senão a falha, a não coincidência das três modalidades da ação — et les forces vives de mon activité sont distendues vers la mémoire à cause de ce que j'ai dit et vers l'attente à cause de ce que je vais dire
Aproximando-se esse texto da primeira análise do ato de recitar, algo permanece (manet) na medida em que se percorre (peragimus) em pensamento poema, verso e discurso, sendo a intenção presente que faz passar (traicit) o futuro no passado
Se se aproximam a passividade da affectio e a distentio animi, deve-se dizer que as três visadas temporais se dissociam na medida em que a atividade intencional tem por contrapartida a passividade engendrada por ela mesma, chamada imagem-marca ou imagem-sinal, discordando também as duas passividades ligadas uma à expectativa, outra à memória
A aporia do tempo longo ou breve resolve-se admitindo-se: que se mede a expectativa e a lembrança, não as coisas futuras ou passadas; que essas são afecções de espacialidade mensurável de gênero único; que essas afecções são o avesso da atividade do espírito que avança, avança; e que essa ação é ela mesma tripla e se distende na medida em que se tende
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Cada estágio dessa solução constitui um enigma: como medir a expectativa ou a lembrança sem apoiar-se em marcas delimitando o espaço percorrido por um móvel; que acesso independente temos à extensão da marca enquanto puramente na mente; se há outro meio de exprimir o vínculo entre affectio e intentio fora da metáfora do trânsito, que parece indispensável; e a tese de que a alma se distende à medida que se tende constitui o enigma mais impenetrável
É precisamente enquanto enigma que a resolução da aporia da medida é preciosa, achado inestimável de santo
Agostinho ter ligado a distensão da alma à falha que se insinua no coração do triplo presente entre o presente do futuro, o presente do passado e o presente do presente
É a essa enigma da especulação sobre o tempo que responde o ato poético de posição em intriga, não a resolvendo especulativamente a Poética de
Aristóteles, mas fazendo-a trabalhar poeticamente, produzindo figura invertida da discordância e da concordância
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O exemplo frágil do canticus recitado de cor torna-se paradigma potente para outras ações em que a alma ao se tender sofre distensão — Ce qui se produit pour le chant tout entier se produit pour chacune de ses parties et pour chacune de ses syllabes; cela se produit pour une action plus ample (in actione longiore), dont ce chant n'est peut-être qu'une petite partie; cela se produit pour la vie entière de l'homme, dont les parties sont toutes les actions (actiones) de l'homme; cela se produit pour la série entière des siècles vécus par les enfants des hommes, dont les parties sont toutes les vies des hommes
4. O contraste da eternidade
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Resta levantar a objeção contra a leitura que isola artificialmente as seções 14, 17-28, 37 da grande meditação sobre a eternidade que as emoldura, tendo já se respondido parcialmente sublinhando a autonomia dessa investigação em seu confronto perpétuo com os argumentos céticos
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Falta porém algo ao sentido pleno da distentio animi, que só o contraste da eternidade traz, discernindo-se três incidências maiores dessa meditação sobre a especulação a respeito do tempo
a
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A meditação de
Agostinho versa indivisivelmente sobre eternidade e tempo, abrindo-se o livro XI com o primeiro versículo do Gênesis — In principio fecit Deus — e juntando indivisivelmente o louvor do salmista a uma especulação de tipo platônico e neoplatônico
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A anterioridade da eternidade em relação ao tempo é dada no contraste entre o ser que não foi feito e no entanto é, e o ser que tem um antes e um depois, que muda e varia, contraste dado num grito — Voici que le ciel et la terre sont; ils crient qu'ils ont été faits, car ils changent et ils varient — sublinhando
Agostinho — Nous savons cela
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O trabalho da inteligência resulta das dificuldades suscitadas por essa mesma confissão da eternidade — Fais que j'entende et que je comprenne comment (quomodo) dans le principe tu as fait le ciel et la terre —, sendo dessa perplexidade que procede a função de ideia-limite
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À primeira pergunta — Mais comment (quomodo) as-tu fait le ciel et la terre…? — responde-se — C'est dans ton Verbe que tu les as faits —, nascendo nova pergunta — Mais comment as-tu parlé? —, respondida pela eternidade do Verbum — C'est ensemble (simul) et éternellement (sempiterne) que tout (omnia) est dit. Autrement, déjà ce serait le temps et le changement, non la vraie éternité ni la vraie immortalité
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Um duplo contraste se abre: primeiro, dizer que as coisas são feitas no Verbo nega que Deus crie como um artesão a partir de algo — Ce n'est pas dans l'univers que tu as fait l'univers, car il n'était pas (quia non erat) en tant que lieu où il pût être fait, avant qu'(antequam) il ne fût fait de façon à être —, antecipando-se a criação ex nihilo
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O contraste decisivo opõe o Verbum divino e a vox humana: o Verbo criador não é como a voz humana que começa e termina, como as sílabas que soam e passam, sendo o Verbum e a voz tão irredutíveis quanto inseparáveis quanto o ouvido interior que escuta a Palavra e o ouvido exterior que recolhe as verba
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A interrogação renasce sempre da resposta anterior — Tu ne fais pas autrement qu'en disant; et cependant (nec tamen), elles ne sont pas faites ensemble et pour l'éternité, toutes les choses que tu fais en les disant —, perguntando-se como uma criatura temporal pode ser feita pelo Verbo eterno — Pourquoi cela, je t'en prie, Seigneur mon Dieu? Dans une certaine mesure je le vois, mais je ne sais comment l'exprimer
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Agostinho atribui ao Verbo uma razão eterna que designa às coisas criadas o começar e o terminar de ser, mas essa resposta contém em germe a dificuldade maior sobre o antes da criação, implicando que essa razão conheça o momento quando (quando) essa coisa devia começar ou terminar
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Confrontado com a tríplice questão do adversário — Que faisait Dieu avant (antequam) de faire le ciel et la terre? S'il était inoccupé et ne faisait aucun travail, pourquoi ne s'est-il pas de même toujours aussi dans la suite comme toujours auparavant abstenu de travailler? Si Dieu avait une volonté éternelle de produire une création, pourquoi n'est-elle pas éternelle aussi? —
Agostinho afina uma última vez sua noção de eternidade, sempre estável (semper stans) por contraste com o que nunca é estável, consistindo essa estabilidade em que no eterno nada passa mas tudo é todo inteiro presente (totum esse praesens), enquanto nenhum tempo é todo inteiro presente
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A resposta à primeira formulação é franca: Avant de faire le ciel et la terre, Dieu ne faisait rien, sendo o nada do não fazer nada o antes da criação, cercado pois o tempo de nada
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A resposta à segunda formulação é mais notável: não há antes em relação à criação, porque Deus criou os tempos ao criar o mundo — Tu es l'ouvrier de tous les temps — Car ce temps lui-même, c'est toi qui l'avais fait et les temps n'ont pu passer avant que tu fisses les temps — Il n'y avait pas d'alors (non erat tune) là où il n'y avait pas de temps
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A tese de que o tempo foi criado com o mundo, já presente em
Platão no Timeu 38d, deixa aberta a possibilidade de outros tempos antes do tempo, dando
Agostinho a sua tese o tour da reductio ad absurdum: mesmo que houvesse um tempo antes do tempo, esse tempo seria ainda criatura, pois Deus é o artesão de todos os tempos
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A resposta à terceira formulação dá a
Agostinho ocasião de dar o toque final à sua oposição entre tempo e eternidade, sendo preciso pensar a antecedência como superioridade, excelência, altura — Tu précèdes tous les temps passés selon la hauteur (celsitudine) de ton éternité toujours présente — Tes années ni ne vont, ni ne viennent — elas subsistem simultaneamente (simul stant)
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A conjunção do hebraísmo e do platonismo na interpretação do ego sum qui sum do Êxodo 3, 14 impede interpretar o pensamento da eternidade como pensamento sem objeto, atestando a conjunção de louvor e especulação que
Agostinho não se limita a pensar a eternidade mas se dirige ao Eterno, invocando-o na segunda pessoa
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É o choque de retorno dessa comparação sobre a experiência viva da distentio animi que faz do pensamento da eternidade a ideia-limite sob cujo horizonte a experiência da distentio animi é afetada, no plano ontológico, do índice negativo da falta ou do defeito de ser
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O contraste entre eternidade e tempo não se limita a cercar de negatividade a experiência do tempo, mas a transpassa de negatividade por inteiro, elevando-se ao nível da lamentação a experiência de distensão, contida em germe na admirável oração de 2, 3
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Sob o horizonte da eternidade estável, a lamentação desdobra sem vergonha seus afetos próprios — Qu'est-ce donc qui resplendit (interlucet) jusqu'à moi et frappe (percutit) mon cœur sans le blesser? Je suis à la fois plein d'horreur et plein d'ardeur (et inhorresco et inardesco): plein d'horreur dans la mesure où je ne lui ressemble pas, plein d'ardeur dans la mesure où je lui ressemble
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Já no relato das vãs tentativas de êxtase plotiniano,
Agostinho geme — Et j'ai découvert que j'étais loin de toi dans la région de la dissemblance (in regione dissimilitudinis) —, expressão vinda de
Platão e transmitida por
Plotino, marcando aqui a diferença ontológica radical entre criatura e criador
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As páginas finais do livro XI (29, 39-31, 41) propõem última interpretação da distentio animi, já não designando apenas a solução das aporias da medida mas exprimindo o dilaceramento da alma privada da estabilidade do eterno presente — Mais puisque ta miséricorde est meilleure que nos vies, voici que ma vie est une distension… (distentio est vita mea)
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A distentio torna-se sinônimo da dispersão na multiplicidade e do errar do velho homem, enquanto a intentio se identifica com o recolhimento do homem interior — Je me rassemble en suivant l'Un
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A intentio passa a ser a esperança das coisas últimas, citando-se são Paulo em Filipenses 3, 12-14 — Ainsi, oubliant le passé, tourné non pas vers les choses futures et transitoires mais vers celles qui sont en avant et vers lesquelles je suis non pas distendu mais tendu (non distentus sed extentus), je poursuis, dans un effort non pas de distension (non secundum distentionem) mais d'intention (sed secundum intentionem), mon chemin vers la palme à laquelle je suis appelé là-haut
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A fronteira entre a condição do ser criado e a do ser decaído é tacitamente atravessada — Je me suis éparpillé (dissilui) dans les temps dont j'ignore l'ordonnance
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No ensaio Les catégories de la temporalité chez saint Augustin, o padre Stanislas Boros, interrogando as Enarrationes in Psalmos e os Sermones, chega a quatro imagens sintéticas que emparelham a tristeza do finito com a celebração do absoluto
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A temporalidade como dissolução liga-se às imagens de ruína, evanescência, atolamento progressivo, fim não saciado, dispersão, alteração, indigência copiosa
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A temporalidade como agonia relaciona-se às imagens de marcha à morte, doença e fragilidade, guerra intestina, cativeiro em lágrimas, envelhecimento, esterilidade
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A temporalidade como banimento reagrupa as imagens de tribulação, exílio, vulnerabilidade, errância, nostalgia, desejo vão
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O tema da noite governa as imagens de cegueira, obscuridade, opacidade
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Separada desse simbolismo arborescente, a distentio animi permaneceria simples esboço de resposta especulativa às aporias suscitadas pela argumentação cética, mas retomada na dinâmica do louvor e da lamentação torna-se experiência viva
c
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A terceira incidência da dialética da eternidade e do tempo sobre a interpretação da distentio animi suscita, no cerne mesmo da experiência temporal, uma hierarquia de níveis de temporalização, conforme essa experiência se afasta ou se aproxima de seu polo de eternidade
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O acento recai menos sobre a dissemelhança que sobre a semelhança entre eternidade e tempo na comparação que a inteligência faz de uma e outra, ligando
Agostinho os temas da instrução pelo Verbo interior e do retorno
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Entre o Verbum eterno e a vox humana há não só diferença e distância mas instrução e comunicação, sendo o Verbo o mestre interior buscado e ouvido no interior (intus) — Là, j'entends (audio) ta voix, Seigneur; tu me dis que celui-là nous parle qui nous instruit (docet nos)… Or, qui nous instruit sinon l'immuable Vérité?
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O retorno não é senão essa escuta, pois se o princípio não permanecesse enquanto erramos, não haveria lugar para onde voltar, sendo pelo conhecimento que voltamos, e para que tenhamos conhecimento ele nos instrui
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Esse movimento é o mesmo de que os nove primeiros livros das Confissões fazem relato, realizando a narração o percurso cujas condições de possibilidade o livro XI reflete, sendo definitivo o fracasso das tentativas de êxtase plotiniano relatadas no livro VII
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Nem a conversão relatada no livro VIII, nem o êxtase de Óstia que marca o ponto culminante do relato no livro IX, suprimem a condição temporal da alma, pondo fim apenas ao errar, forma decaída da distentio animi, para suscitar uma peregrinação que relança a alma nas estradas do tempo
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Ao fustigar a frivolidade dos que atribuem a Deus vontade nova no momento da criação, opondo ao coração volúvel o coração estável de quem escuta o Verbo,
Agostinho evoca essa estabilidade apenas para reiterar a diferença entre tempo e eternidade — Qui… retiendra [ce cœur] et le fixera pour qu'il prenne tant soit peu de stabilité (ut paululum stet), pour qu'il arrive à saisir tant soit peu de la splendeur de l'éternité toujours stable (semper stantis), à la comparer aux temps qui ne sont jamais stables et à voir qu'il n'y a pas de comparaison possible
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Quando a dialética da intentio e da distentio se ancora definitivamente na da eternidade e do tempo, a tímida interrogação cede lugar a afirmação mais segura — Alors je serai stable (stabo) et solide (solidabor) en toi, dans ma vraie forme, ta Vérité —, permanecendo porém essa estabilidade no futuro, tempo da esperança, sendo do meio da experiência de distensão que o voto de permanência é pronunciado — jusqu'au jour où (donec) je m'écoulerai en toi, purifié, liquéfié au feu de ton amour
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Sem perder a autonomia que lhe confere a discussão das aporias antigas sobre o tempo, o tema da distensão e da intenção recebe do seu encaixe na meditação sobre eternidade e tempo uma intensificação que ecoará por toda a obra, visando extrair da própria experiência do tempo recursos de hierarquização interna cujo benefício não é abolir a temporalidade mas aprofundá-la
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A incidência dessa observação sobre toda a presente empreitada é considerável: se a tendência maior da teoria moderna do relato é dessincronizar o relato, a luta contra a representação linear do tempo não tem por única saída lógicizar o relato, mas aprofundar-lhe a temporalidade, não sendo o único contrário da cronologia a acronia das leis ou dos modelos, mas a própria temporalidade
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Era preciso confessar o outro do tempo para fazer plena justiça à temporalidade humana e propor-se não aboli-la mas aprofundá-la, hierarquizá-la, desdobrá-la segundo níveis de temporalização sempre menos distendidos e sempre mais tendidos, non secundum distentionem, sed secundum intentionem