Recapitulam-se três situações dialéticas implicadas nesse discurso: primeiro, a vontade como transição do desejo à racionalidade, presente já na definição aristotélica da vontade como desejo deliberado e correspondente, em
Hegel, à passagem da filosofia da natureza à filosofia do espírito; segundo, a interação causal recíproca entre entendimento e vontade na escolástica e em
Descartes, retomada pela distinção kantiana entre razão teórica e prática e correspondente à filosofia do Espírito subjetivo hegeliano; terceiro, a transição da vontade subjetiva, objeto da fenomenologia, à vontade objetiva, objeto da determinação ético-política, dimensão perdida quando a psicologia da decisão se separa da filosofia política de Hobbes e do
Espinosa do Tratado político, e que constitui o núcleo do Espírito objetivo hegeliano.