Esse exemplo, centrado na consciência de si, corre o risco de mascarar o outro polo do símbolo, pois todo símbolo é finalmente uma hierofania, manifestação do vínculo do homem com o sagrado, sendo o conhece-te a ti mesmo, segundo o Cármides de
Platão, não puramente reflexivo mas um apelo a melhor se situar no ser, de modo que a tarefa do filósofo guiado pelo símbolo é romper o cerco encantado da subjetividade e da reflexão, ultrapassando a antropologia em direção a uma totalidade que reintegra o homem ao ser; o símbolo dá assim a pensar que o cogito está dentro do ser, e não o inverso, segunda revolução copernicana em que o ato pelo qual o sujeito se arranca à totalidade ainda participa do ser que o interpela em cada símbolo, instalando o homem preliminarmente dentro de seu fundamento em vez de conduzi-lo à descoberta de um desconhecido — ideia retomada na fórmula enigmática de
Heráclito: o oráculo de Delfos não fala nem dissimula, faz sinal.