A obscuridade das paixões em sua origem, o enigma de um excesso que se condensa e se enquista a ponto de parecer persistente e imperioso, fez com que fossem atribuídas ao inconsciente na psicanálise.
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Este corpo “psíquico” é o equivalente transposto do corpo obscuro e rebelde, suposto sujeito das afecções.
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Este paralelo, paradoxal, tornou possível a concepção da psicanálise como uma “medicina da psique”, da alma.
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As culturas humanas oferecem outra interpretação possível para as paixões, mais geral: a interpretação de sua origem como origem divina, no politeísmo mitológico.
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O relato mitológico é elaborado para ordenar as paixões, que são estados fora do tempo, distribuídos entre os deuses e seus conflitos, para fornecer uma ordem que faça sentido para os homens.
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Pode-se dizer que a psicanálise é a mitologia de nosso tempo, pelo menos do ponto de vista de sua função.