O delírio divino é classificado e seu papel na instituição arcaica é descrito.
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Classificação do delírio: divinações inspiradas (profetisas), rituais religiosos, e inspiração poética pelas Musas.
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Sobre os rituais religiosos: doenças e provações cruéis, de origem desconhecida (antigos ressentimentos), encontram no delírio os meios de escape através de preces e ritos especiais.
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Este delírio “direito”, inscrito na ordem religiosa instituída, é benéfico: restabelece um equilíbrio face a estados excessivos.
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Na instituição arcaica, o excesso das doenças só pode ser compensado pelo excesso de um delírio divino, que converte questões em problemas a resolver.
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Os rituais religiosos são a própria resolução deste problema, libertando o sujeito do malefício.
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Platão mostra aqui a articulação entre o corpus mitológico e o corpus dos rituais religiosos.
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A instituição aparece numa “loucura” (mania) divina, cuja inspiração converte questões dolorosas em problemas com resoluções precisas.
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O mesmo vale para a inspiração poética, dada pelas Musas.
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Estamos no quadro da instituição arcaica, onde o excesso da questão é retratado como problema, por determinação simbólica mitológico-religiosa.
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Estes excessos podem ser “corporais”, pois concernem doenças e provações de uma destinação nefasta.