POLT, Richard F. H. The emergency of being: on Heidegger’s contributions to philosophy.Ithaca, NY: Cornell Univ. Press, 2006.
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O processo interpretativo exige um diálogo ativo onde a ressonância das palavras do texto com o pensamento do leitor permite a descoberta de novas facetas da questão, sem garantir a identidade absoluta das ideias.
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Dependência da revelação em relação à participação do leitor.
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Impossibilidade de certeza sobre a identidade de pensamento.
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Ressonância produtiva como método de validação.
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O engajamento filosófico genuíno demanda o pensamento independente e a inevitabilidade da divergência decorrente das diferenças situacionais, tornando inócua a mera repetição da terminologia do autor.
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Necessidade de pensamentos divergentes devido ao contexto.
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Crítica ao heideggeriano como imitador de maneirismos.
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Distinção entre trabalho de interpretação e ferramenta de referência.
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A transposição do pensamento heideggeriano para o inglês enfrenta desafios estruturais em comparação ao alemão, cuja flexibilidade gramatical e enraizamento na fala cotidiana favorecem a reflexão filosófica.
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Dificuldade de criação de gerúndios e neologismos em inglês.
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Codificação de esquemas metafísicos na gramática.
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Contraste entre raízes anglo-saxônicas e termos latinos ou franceses.
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A função do comentarista distingue-se da do tradutor pela liberdade de mobilizar os recursos da própria língua para abordar a questão do ser, superando as limitações da imitação de jogos de palavras.
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Restrições do tradutor diante de trocadilhos e citações.
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Uso do vocabulário cotidiano para provocar reflexão.
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Possibilidade de a língua inglesa falar do ser.
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A sucessão filosófica autêntica exige a independência para explorar caminhos alternativos e identificar os pontos cegos do pensador, cumprindo a demanda por precursores e não meros seguidores.
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Conceito de ponto cego ou não-pensado.
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Distinção entre Nachläufer e precursores ou fore-runners.
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Temor de Heidegger da digestão pela história acadêmica.
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A produção de literatura secundária sobre um texto esotérico enfrenta o dilema de saber se a clarificação da ambiguidade intrínseca constitui uma violação do projeto filosófico ou uma discordância legítima.
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Tensão entre clareza proposicional e ambiguidade essencial.
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Definição da clareza absoluta como método não neutro.
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Risco de violação da obscuridade do tema.
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O reconhecimento do mistério do ser não impede a tarefa de explicitar os fundamentos das declarações enigmáticas para revelar o mistério como um acontecimento coerente de auto-ocultação.
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Rejeição da repetição da autoridade do autor.
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Analogia da pedreira e das ferramentas invisíveis.
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Distinção entre ininteligibilidade confusa e mistério coerente.
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Possibilidade de indicar o ser através de um silêncio eloquente.
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A distinção entre o esoterismo intrínseco exigido pelo tema e o esoterismo extrínseco do estilo permite uma abordagem que convida o leitor ao mistério em vez de defender-se contra ele.
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Diferença entre resposta ao mistério e barreira estilística para leitores impuros.
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Possibilidade de manutenção da obscuridade essencial sem a extrínseca.
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Escrita projetada para o convite e não para a exclusão.
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A estratégia interpretativa adota uma via intermédia que recusa tanto a clareza total quanto o elitismo obscuro, sustentando que a experiência cotidiana preserva uma profundidade capaz de aceder à essência do ser.
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Rejeição dos extremos das abordagens analítica e continental.
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Crítica à visão tardia de Heidegger sobre a decadência total do cotidiano.
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Defesa do potencial de transformação da experiência comum.
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Compromisso com a acessibilidade sem jargões desnecessários.
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A exposição da interpretação renuncia à formulação de uma tese única ou princípio regente em favor da exploração de múltiplas vias que conduzem ao cerne das preocupações filosóficas.