A estranheza da obra manifesta-se em sua estrutura fragmentária e estilo denso, combinando gêneros díspares como tratado, história da filosofia, crítica cultural e profecia em uma tentativa de dizer o indizível.
O tom tenso e desesperado do livro reflete a decisão de dar vazão a intuições longamente represadas, resultando em julgamentos abrangentes e uma postura arrogante que visa iniciar uma revolução no pensamento.
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Predomínio de denúncias apaixonadas.
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Ambição de determinar o estilo de pensamento por séculos.
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Origem da obsessividade na liberação de hesitações antigas.
A recepção polarizada do texto divide-se entre o escárnio analítico provocado por traduções inadequadas e interpretações excessivamente fiéis que se limitam a imitar o original sem distanciamento crítico.
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Zombaria facilitada pela estranheza da terminologia.
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Tendência dos especialistas à paráfrase.
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Falta de diferença entre o original e a interpretação.
A interpretação exige a transcendência do texto para a compreensão de seu contexto projetivo, visto que a mera reprodução da superfície textual falha em captar a profundidade e a fonte dos dizeres.
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Impossibilidade de o texto fornecer todo o seu contexto.
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Necessidade de visão estereoscópica.
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Risco de criação de uma aldeia Potemkin interpretativa.
O círculo hermenêutico adequado requer que o ponto de vista do leitor ilumine o texto e seja reciprocamente transformado por ele, revelando progressivamente as facetas da questão em um movimento de corresponsabilidade.
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Rejeição da imposição redutiva de preconceitos.
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Dinâmica de transformação mútua entre leitor e obra.
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Objetivo de corresponder à questão e não apenas às palavras.
A existência de leituras tendenciosas mas instigantes demonstra a possibilidade de abordagens que, mesmo divergindo da intenção original, provocam o pensamento através de projetos desconstrutivos ou construtivos.
O objetivo da investigação define-se como um confronto com a coisa mesma do pensamento, evitando tanto a redução a conceitos familiares quanto a refutação polêmica em favor de um aprendizado através do conflito.
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Distinção entre confronto e polêmica.
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Respeito ao caminho de pensamento alheio.
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Luta conjunta em torno de uma preocupação compartilhada.
A abordagem proposta constitui uma extradução que conduz através e para fora do texto, superando a distinção artificial entre interior e exterior para encontrar as questões em jogo.
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Função de conduzir para fora ou extraduction.
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Pontos de entrada variados no texto.
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Necessidade de habitar o tema externo para estar dentro do texto.
A emergência do ser constitui o tema central onde o evento de apropriação ocorre como um momento de urgência que interpela a totalidade dos entes e traz o ser humano para o seu próprio.
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Vínculo entre Not como emergência e o surgir do ser.
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Definição de história como erupção de significância.
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Caráter questionador do momento de crise.
A crítica à tradição ocidental diagnostica o esquecimento da emergência do ser nas alternativas políticas modernas, as quais compartilham a húbris de tentar estabelecer um modo absoluto e a-histórico de representação.
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Ataque à democracia liberal, comunismo e fascismo.
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Estranhamento da cultura ocidental em relação à história.
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Definição da crise atual como a emergência da falta de urgência.
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Papel do Dasein como guardião do ser emergente.
A interpretação do evento de apropriação como uma possibilidade singular exige um pensamento experimental no modo subjuntivo-futuro, rompendo com a tonalidade indicativa-presente da filosofia tradicional.
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Recusa do caráter a priori ou sempre já dado do evento.
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Adoção da lectio difficilior ou leitura mais difícil.
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Risco do pensamento que salta para a possibilidade.
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Identidade entre o evento de pensar e o evento pensado.
A delimitação do escopo da análise prioriza as ideias positivas e a fonte do pensamento do evento, deixando em segundo plano as críticas negativas à filosofia tradicional e ao mundo moderno.
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Seleção de passagens e referências livres.
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Necessidade de confrontar a fonte antes de julgar a crítica.
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Inclusão posterior da discussão sobre liberalismo e razão.
A concentração na distintividade do texto em detrimento de sua inserção na evolução total da obra justifica-se pela tonalidade única e urgente que tende a ser diluída nos escritos posteriores.
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Abstenção de relato detalhado sobre a evolução a partir de Ser e Tempo.
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Risco de perda da historicidade do evento em obras tardias.
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Dificuldade de harmonização sem descartar a linguagem apocalíptica.
A estratégia de tradução recusa o neologismo excessivo em favor do uso de palavras estabelecidas cujas conotações são adaptadas ao novo contexto, visando evitar um esoterismo extrínseco que obscurece o mistério intrínseco.
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Crítica à impenetrabilidade de traduções repletas de neologismos.
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Preferência por vocabulário inglês tradicional com novos sentidos.
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Adoção do termo apropriação para Ereignis.
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Manutenção da conexão com a herança linguística.
A opção por verter Da-sein como ser-aí busca evitar a jargonização do termo e capturar os múltiplos sentidos de estar situado, existir como um sítio e ser o local para a manifestação do ser.
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Rejeição da não-tradução consagrada academicamente.
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Preferência por being-there em vez de being-here.
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Implicação de uma tarefa a ser alcançada.
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Definição do aí como o local de decisão sobre o significado do ser.