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O envolvimento político de Heidegger em 1933 exige interrogar a relação entre suas decisões e a orientação de seu pensamento, pois o reconhecimento posterior do erro não esclarece, por si só, as condições que tornaram possível sua adesão.
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A radicalidade da crítica à situação existente e a esperança de uma transformação histórica expuseram o pensamento ao risco de reconhecer no movimento nacional-socialista a realização de uma renovação que ele pretendia compreender em termos filosóficos.
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A interpretação da historicidade como destino singular e coletivo, a procura de uma nova dimensão do sagrado e a aproximação à tragédia e a
Hölderlin adquiriram peso especial nos anos de crise que se seguiram a Ser e tempo.
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O discurso do reitorado vinculou a missão da universidade e da ciência ao ressurgimento histórico do povo alemão; a posterior oposição de Heidegger ao racismo e à submissão da cultura ao poder totalitário não apaga o sentido de sua intervenção inicial.
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A referência de 1935 à «verdade e grandeza internas do nacional-socialismo» exprime uma distinção entre o movimento efetivo e a possibilidade histórica que Heidegger ainda acreditava nele encontrar; sua reformulação e suas explicações posteriores requerem confronto com a cronologia dos textos.
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O afastamento progressivo da política do regime acompanhou o reconhecimento de que a mobilização técnica, a organização totalitária e a disputa pelo domínio mundial contrariavam a transformação esperada, sem converter retrospectivamente a adesão de 1933 em simples mal-entendido.
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A catástrofe da guerra e de seus desdobramentos impôs ao pensamento uma experiência do fracasso mais grave do que a figura filosófica de um declínio trágico podia antecipar; a procura posterior do que salva passou a concentrar-se também nas coisas mais simples.
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A interlocução com
Nietzsche, os primeiros pensadores gregos, a tragédia,
Hölderlin e a obra de arte não possui um significado invariável em todo o percurso: cada aproximação responde a uma situação distinta e está sujeita a revisões e dificuldades próprias.
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As interpretações de
Platão,
Aristóteles e
Sófocles suscitam questões filológicas e filosóficas que não desaparecem diante de sua fecundidade especulativa; o acesso ao que permaneceu impensado na tradição exige examinar também os limites das leituras que pretendem abri-lo.
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A publicação e o estudo dos primeiros cursos tornam necessário distinguir com maior rigor a fenomenologia da vida fática, o projeto de Ser e tempo e os caminhos posteriores, sem projetar sobre os escritos iniciais as conclusões da história do ser.
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Nenhum momento final do percurso pode ser tomado como sua chave definitiva: permanecem abertas as questões da natureza, da ação, da história, da linguagem e da dimensão religiosa, cuja investigação requer receber os impulsos de Heidegger e desenvolver, diante deles, caminhos próprios.