PÖGGELER, Otto. Neue Wege mit Heidegger. Freiburg: Verlag K. Alber, 1992.
Novos caminhos com Heidegger?
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Ser e tempo e a exigência posterior de uma virada (Kehre) marcaram profundamente a filosofia continental, enquanto sua recepção em outros países recolocou questões relativas à sociedade, à arte, à técnica, à religião e à ciência em diálogo com tradições filosóficas diferentes.
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A edição das obras reunidas permite reconhecer os escritos de Heidegger como caminhos com linguagens e problemas próprios, cuja importância depende de sua contribuição para a questão comum da filosofia, e não da conclusão de uma obra sistemática.
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O compromisso filosófico desses caminhos exige examinar o que neles conserva validade: a força de uma investigação não decorre da expectativa de que um único pensador possa determinar a direção futura da história.
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A relação contemporânea com Heidegger requer uma ruptura crítica com suas premissas quando elas se mostram insuficientes, seguida de uma investigação concreta das possibilidades ainda abertas por seus trabalhos.
a. Com e contra Heidegger
1. Ética e dialética
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A recepção crítica de Heidegger precisa reunir a reconstrução rigorosa de suas perguntas, a avaliação de suas respostas e a possibilidade de discordar delas diante de problemas que seu próprio pensamento deixou abertos.
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A condição mortal pode conduzir à compreensão de que o aparecimento dos entes depende de uma verdade que também se oculta, mas essa elaboração da relação entre morte, ser e nada ainda requer esclarecer suas consequências para a relação concreta entre as pessoas.
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A diversidade dos domínios de experiência não se deixa resolver por uma única pergunta supostamente fundamental; tomar a autointerpretação de Heidegger como medida definitiva impediria reconhecer motivos fecundos que seu percurso deixou à margem.
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A fenomenologia precisa confrontar a existência histórica com questões éticas, lógicas e científicas que não recebem resposta suficiente pela simples continuação interna da questão do ser.
2. Filosofia e arte
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A interpretação da obra de arte como acontecimento da verdade exige confronto com a história da arte, a experiência das obras e outras fenomenologias da imagem, pois a repetição da terminologia heideggeriana não basta para demonstrar seu alcance.
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A passagem da análise de Ser e tempo à reflexão sobre a obra de arte precisa ser examinada em suas mudanças efetivas, especialmente na relação entre mundo, terra e história, sem pressupor que ambas obedeçam ao mesmo método.
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As questões matemáticas e científicas desenvolvidas no entorno da fenomenologia permanecem indispensáveis para avaliar os limites da crítica heideggeriana à objetivação e à técnica.
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A aproximação entre Heidegger e
Marx só se torna fecunda quando as diferenças entre seus problemas históricos e filosóficos são preservadas; a redução de ambos à execução de uma única pergunta encobre essas diferenças.
3. Poesia e política
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A compreensão da poesia como instauração histórica da verdade não pode substituir a discussão das decisões políticas, de suas instituições e de suas consequências, pois a esfera política possui uma consistência relativa que o pensamento de Heidegger frequentemente deixou de reconhecer.
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A confiança dos anos 1930 numa transformação histórica mais originária do que a mudança institucional persistiu mesmo após o afastamento de Heidegger da ação política direta, tornando insuficiente explicar sua adesão de 1933 como um breve desvio pessoal.
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A interpretação de uma potência originária do pensamento grego no destino alemão exige confronto com as mediações efetivas da tradição, inclusive com as influências judaicas e modernas presentes em
Hölderlin e
Hegel.
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O apelo à verdade posta em obra conserva riscos quando é separado da avaliação pública de ações e regimes; a crítica filosófica precisa distinguir o alcance de uma abertura histórica das pretensões políticas feitas em seu nome.
4. O pensamento pré-socrático
b. Fenomenologia do tempo
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Os primeiros cursos de Heidegger transformaram a fenomenologia ao tomar a experiência cristã da vida fática como problema filosófico, colocando em tensão a distinção husserliana entre fato e essência.
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A desvalorização posterior desses cursos como experiências juvenis encobre questões que podem conservar validade independente do caminho seguido por Ser e tempo e pelos escritos tardios.
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A análise da vida histórica reuniu impulsos de
Husserl,
Dilthey,
Bergson e
Jaspers, mas procurou ultrapassá-los mediante uma hermenêutica que toma a história vivida, e não uma psicologia da consciência, como via de acesso à existência.
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A intencionalidade não designa apenas a relação posterior de um sujeito com objetos previamente dados: mesmo as percepções mais simples já se articulam em estruturas de expressão e interpretação.
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A evidência não se limita ao juízo teórico, pois também o querer, o desejar, o amar e o esperar possuem maneiras próprias de confirmar ou frustrar aquilo a que se dirigem.
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A diferença entre a fenomenologia transcendental de
Husserl e a hermenêutica de Heidegger torna-se decisiva na pergunta pelo tempo: a primeira exige esclarecer a constituição da experiência, enquanto a segunda procura compreender historicamente o modo de ser da existência.
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A questão do ser como presença conduziu Heidegger a criticar a primazia metafísica do presente, mas permanece em aberto se sua concepção posterior de uma copertença das dimensões temporais faz justiça à diferença entre o tempo próprio e o tempo do outro.
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A objeção ética de
Levinas põe à prova toda compreensão do tempo que reconduza a alteridade a uma identidade histórica abrangente; a separação entre as pessoas pode exigir uma experiência temporal que o pensamento heideggeriano não desenvolveu.
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A física, a biologia e as ciências humanas modificaram profundamente as perguntas sobre duração, irreversibilidade e vida, tornando inviável solucionar a questão do tempo por uma única operação conceitual ou por uma oposição simples entre ciência e existência.
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Os caminhos abertos por Heidegger devem ser recolocados entre as questões filosóficas atuais, de modo que suas contribuições possam ser examinadas juntamente com fenômenos e conhecimentos que excedem as premissas de sua própria obra.