Conclusão de que, se o ato sobredetermina o teatro, o dialógico acarreta necessariamente uma tipologia, gerando o ato dramático singular a figura, como se vê no fato de cada filósofo ser a persona e o ator de um pensamento, com a interrogação final sobre se o figural ou tipológico está mesmo subordinado ao topológico, ou se é antes o mythos, em sua dramaticidade, que comanda a abertura do espaço de uma cena onde as figuras se agonizam.
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Recusa preliminar do próprio termo presentação quando entendido como algo que, por não se presentar, acabaria por endurecer-se em sobrepresença ou presença eminente, correndo o risco de reconstituir sub-repticiamente uma
onto-teo-logia, virando physissis e deslizando para uma teologia negativa ou uma dialectologia hegeliana.
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Proposta de abordagem deslocada: a presentação está em jogo na presença enquanto prae(s)ens, sempre adiante de si e por isso também atrás de si, preferindo-se acentuar o “adiante”, o que remete ao teatro e sobretudo ao que Philippe reúne sob o conceito de arqui-teatro.
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Substituição da fórmula “presentação que não se presenta” por uma “presença sempre-já ali e sem fundo”, sem “arquia” alguma, o que dissolve a nítida distinção entre “se presentar” e “ser presentado”, distinção ligada por sua vez a uma distinção entre natureza e arte que só vale se a natureza consistir, hipótese posta em dúvida em nome de um quiasma entre técnica natural e natureza técnica situado no homem e em sua inquietante estranheza, quiasma cuja ambivalência é a própria ambivalência do niilismo.
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Constatação de que a diferença entre os dois se estreita, aproximando-se a “mimèsis originária” de Philippe do que Jean-Luc prefere chamar “parêtre” do ser e “prae(s)entia”, evitando a palavra “originário”, interrogação sobre por que persistir então o desacordo ontológico, sugerindo-se que ambos talvez não entendam do mesmo modo enunciados em que parecem concordar, sendo esse não-entendimento a própria razão de existir sempre diálogo e nunca monólogo.
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Retomada do motivo teológico: a “presentação nº1” a presentar pareceria de fato teológica independentemente do nome “ateológica” preferido por Philippe, já que a ideia mesma de seu caráter originário implica já o teo-onto-lógico, preferindo-se falar antes de um “divino” sem se deter mais nisso.
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Proposta positiva de um espaçamento das presenças em vez de uma presentação originária, não havendo “a presença” mas sempre de saída presenças co-presentes, sendo o “com” constitutivo e não atribuível à prae(s)entia, apontando-se nesse ponto da co-presença ou “comparution” o mau desvio político de Heidegger.
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Definição do que o teatro, como diálogo, presenta: o espaçamento, constituição e medida do “com”, atravessado pelo lançamento de um signo de um ponto a outro, de modo que a assunção dramática começaria por ser assunção de um lugar na divisão e na co-presença, revelando o “dia-” ou “dis-” como necessariamente também um “syn-” ou “cum-”, com diferimento explícito do aspecto político dessa questão.
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Retomada do acordo essencial quanto ao teatro como “espaço reservado” ou templum, no qual se veria antes a colocação em reserva do espaçamento mesmo, à distância da ambiência circundante, topo-lógica fundamental sem fundo, lógica de actantes e personae interpretadas e não de personagens imitados.
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Anúncio da intenção de voltar à escritura do diálogo teatral, com impressões pouco formalizadas sobre uma língua sustentada em que o endereçamento ao outro prevaleceria sobre a teor de sentido, preferindo-se deixar a Philippe retomar primeiro esse motivo.
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Objeção ao próprio prefixo “arqui-” do arqui-teatro, por analogia com as más interpretações sofridas pela “arqui-escritura” derridiana, uma vez que o termo arquivado permanece conservado e embaralha a diferença dos artes, interrogando-se em que sentido preciso o teatro seria paradigma da arte em geral, visto que a enumeração de práticas religiosas ou mágicas feita por Philippe nada diz da pintura, escultura, música, poesia, cinema, foto, vídeo ou performance.
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Pergunta final sobre o que seria o teatro não “arqui”, isto é, o teatro simplesmente, manifestando-se insatisfeito com o critério vago dos “efeitos” para distinguir espetacular e teatral, sugerindo que a sobriedade teatral consista antes em distinguir o teatro da música, da dança, da pintura e do cinema, propondo o exemplo das representações racinianas em Versalhes como caso em que o diálogo não era nem recoberto nem deslocado para outros registros.