O que se mostra, no entanto, fazê-lo em vários estados de encobrimento, exigindo um procedimento como a destruição do curso de 1920, e o solo fenomênico, antes entendido em termos de experiência ou contextos de significado, deve agora ser arrancado dos objetos da fenomenologia, e o mero olhar não é suficiente para a fenomenologia.
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O que se mostra pode estar encoberto.
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O encobrimento exige um procedimento de destruição.
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O solo fenomênico deve ser arrancado dos objetos.
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O mero olhar não é suficiente para a fenomenologia.
O mostrar-se encoberto dos fenômenos é ele mesmo um modo de mostrar-se, ainda que parcialmente encoberto ou mesmo enganoso, e por mais semblante, tanto ser, e o ser é encontrado nesse mostrar-se, mostrando-se fenomênico, e por isso a ontologia só é possível como fenomenologia.
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O mostrar-se encoberto é um modo de mostrar-se.
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A máxima por mais semblante, tanto ser vigora.
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O ser é encontrado no mostrar-se.
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O ser mostra-se fenomênico.
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Ontologia só é possível como fenomenologia.
Na medida em que essa ontologia fenomenológica requer que se trabalhe através do encobrimento dos entes que aparecem para vê-los em seu ser, que se está sempre já envolvido com esses entes, ainda que de modo cotidiano ou superficial, e que é o próprio Dasein quem pergunta pela questão do sentido do ser a partir de sua posição como ente no ser, essa ontologia fenomenológica é hermenêutica.
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É necessário trabalhar através do encobrimento dos entes.
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O Dasein está sempre já envolvido com os entes.
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O Dasein pergunta pelo sentido do ser.
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O Dasein pergunta a partir de sua posição como ente no ser.
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A ontologia fenomenológica é hermenêutica.
No parágrafo 7 C de Ser e Tempo, Heidegger explica a escolha do termo hermenêutica afirmando que o logos da fenomenologia do Dasein tem o caráter de hermeneuein, pelo qual o significado próprio do ser e as estruturas fundamentais do ser do Dasein são anunciados à compreensão do ser que pertence ao próprio Dasein, e a fenomenologia do Dasein é hermenêutica no sentido originário do negócio da interpretação, e essa hermenêutica é ao mesmo tempo hermenêutica no sentido de elaborar as condições de possibilidade de toda investigação ontológica, e recebe ainda o sentido primário de análise da existencialidade da existência, contendo as raízes da hermenêutica em sentido derivado como metodologia das ciências históricas humanísticas.
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O logos da fenomenologia do Dasein tem o caráter de hermeneuein.
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O significado próprio do ser e as estruturas do Dasein são anunciados à compreensão do ser do Dasein.
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Fenomenologia do Dasein é hermenêutica no sentido originário do negócio da interpretação.
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Essa hermenêutica elabora as condições de possibilidade de toda investigação ontológica.
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Ela recebe o sentido primário de análise da existencialidade da existência.
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Ela contém as raízes da hermenêutica em sentido derivado como metodologia das ciências históricas.
Heidegger entende a fenomenologia como inerentemente hermenêutica porque a fenomenologia envolve a compreensão do próprio ser que é constitutivo do Dasein, assemelhando-se ao negócio da interpretação, que nunca é isento de pressupostos, mas opera sempre a partir dos preconceitos e pressupostos compartilhados de uma posição histórica, e o Dasein não existe fora do ser para depois apreendê-lo como objeto, mas está desde sempre envolvido com o ser.
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A fenomenologia envolve a compreensão do ser constitutivo do Dasein.
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A interpretação nunca é isenta de pressupostos.
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A interpretação opera a partir de preconceitos e pressupostos históricos.
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O Dasein não existe fora do ser.
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O Dasein está desde sempre envolvido com o ser.
Os pressupostos que guiam a interpretação do ser pelo Dasein, designados por Heidegger como pré-posse, pré-visão e pré-concepção, constituem o que ele chama de situação hermenêutica.
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Os pressupostos da interpretação do ser são a pré-posse, a pré-visão e a pré-concepção.
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Esses pressupostos constituem a situação hermenêutica.
É nesse ponto que ocorre a ruptura entre as primeiras e as tardias posições de Heidegger, pois em Ser e Tempo a situação hermenêutica é compreendida em termos de um círculo, e toda interpretação que deve contribuir com compreensão já tem de ter compreendido o que deve ser interpretado, e a circularidade decorre de se conceber a relação hermenêutica como um tornar explícito, em que uma posição latente é confirmada ou clarificada na explicitude de uma interpretação.
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A ruptura entre o pensamento inicial e tardio de Heidegger dá-se nesse ponto.
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Em Ser e Tempo, a situação hermenêutica é um círculo.
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Toda interpretação já deve ter compreendido o que interpreta.
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A circularidade decorre do tornar explícito uma posição latente.
A estrutura-prévia da interpretação é tripartite, começando com a pré-posse de uma compreensão de fundo de uma totalidade de remissões, uma pré-visão que aborda essa totalidade com uma interpretação particular em vista, e uma pré-concepção que decide como conceitualizar a interpretação, e esse círculo da compreensão não é um círculo em que opera um tipo qualquer de conhecimento, mas a expressão da estrutura-prévia existencial do próprio Dasein.
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A pré-posse é a compreensão de fundo de uma totalidade de remissões.
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A pré-visão aborda a totalidade com uma interpretação particular em vista.
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A pré-concepção decide a conceitualização da interpretação.
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O círculo não é de um tipo qualquer de conhecimento.
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O círculo é a expressão da estrutura-prévia existencial do Dasein.
A mesma estrutura-prévia está em jogo na compreensão do ser pelo Dasein, e a ênfase de Heidegger nos preparativos e preliminares necessários até mesmo para perguntar pela questão do ser atesta essa estrutura-prévia, que é um fato de ser-no-mundo, e a circularidade hermenêutica está ligada à compreensão do Dasein.
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A estrutura-prévia está em jogo na compreensão do ser.
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Os preparativos para a questão do ser atestam a estrutura-prévia.
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A estrutura-prévia é um fato de ser-no-mundo.
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A circularidade hermenêutica está ligada à compreensão do Dasein.
Em Ser e Tempo, nem todos os entes estão no mundo no sentido estrito, pois só o Dasein existe, e só o Dasein é circular em sentido hermenêutico, e o círculo pertence ontologicamente a um modo de ser do ser simplesmente dado, e se a circularidade pertencesse a outros entes que não o Dasein, o uso do termo deveria ser abandonado.
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Nem todos os entes estão no mundo no sentido estrito.
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Só o Dasein existe.
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Só o Dasein é circular em sentido hermenêutico.
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O círculo pertence ontologicamente ao modo de ser do simplesmente dado.
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Se a circularidade pertencesse a outros entes, o termo deveria ser abandonado.
O abismo entre a circularidade do Dasein e a não-circularidade de todos os outros entes é repleto de consequências para a compreensão do sentido dos entes, pois é essa circularidade que estabelece os contextos de significado para o Dasein, e todos os outros entes são sem significado.
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A circularidade estabelece os contextos de significado para o Dasein.
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Os outros entes são sem significado.
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O significado é um existencial do Dasein, não uma propriedade dos entes.
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Só o Dasein pode ser significativo ou sem significado.
Os entes não são significativos por si mesmos, mas apenas para o Dasein, e eles são significativos enquanto compreendidos, e todo ente cujo modo de ser não é como o do Dasein deve ser entendido como desprovido de sentido, essencialmente nu de significado como tal, e os entes são apenas manualmente ou simplesmente dados graças à compreensão do Dasein.
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Os entes não são significativos por si mesmos.
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São significativos apenas para o Dasein.
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São significativos enquanto compreendidos.
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Entes com modo de ser diverso do Dasein são desprovidos de sentido.
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São nus de significado.
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São manualmente ou simplesmente dados graças à compreensão do Dasein.
Com a introdução da coisa no pensamento de Heidegger nas Conferências de Bremen, essa situação hermenêutica muda dramaticamente, e um primeiro sentido dessa mudança é encontrado no Diálogo sobre a linguagem, onde a questão do círculo hermenêutico é explicitamente levantada, e o pesquisador afirma que outrora chamou essa estranha relação de círculo hermenêutico, mas que a aceitação necessária do círculo não significa que a noção do círculo aceito dê uma experiência originária da relação hermenêutica, e que a fala do círculo permanece sempre superficial.
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A situação hermenêutica muda com a introdução da coisa nas Conferências de Bremen.
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O Diálogo sobre a linguagem explicita a questão do círculo hermenêutico.
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O pesquisador reconhece que outrora chamou essa relação de círculo hermenêutico.
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A aceitação do círculo não dá a experiência originária da relação hermenêutica.
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A fala do círculo permanece sempre superficial.
A superficialidade do círculo decorre precisamente de sua exclusão dos entes da determinação do significado, o que compromete qualquer hermenêutica que se funde na circularidade, e o pesquisador observa que em seus escritos tardios os nomes hermenêutica e hermenêutico já não são empregados, e o pensamento tardio do mensageiro corrige essa omissão e assim revivifica a hermenêutica, ainda que sob um nome diferente.
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O círculo exclui os entes da determinação do significado.
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Essa exclusão compromete a hermenêutica fundada na circularidade.
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Os escritos tardios de Heidegger não empregam os termos hermenêutica e hermenêutico.
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O pensamento tardio do mensageiro corrige essa omissão.
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A hermenêutica é revivificada, ainda que sob outro nome.