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“Não é o fenômeno psicológico na apercepção e na objetivação psicológica que é uma doação (Gegebenheit) absoluta, mas somente o fenômeno puro, o [fenômeno] reduzido (das reduzierte)”
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O que valida fenomenologicamente um fenômeno como um dado absolutamente não é então seu simples aparecer, mas seu caráter reduzido: somente a redução faz aceder à doação absoluta e não tem outro fim senão ela
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“Em consequência, o conceito de redução fenomenológica (phänomenologischen Reduktion) ganha uma determinação mais estreita, profunda e um sentido mais claro: […] a exclusão do transcendente em geral como existência a admitir em acréscimo, isto é, de tudo o que não é uma doação evidente (evidente Gegebenheit) no sentido autêntico, uma doação absoluta (absolute Gegebenheit) ao olhar puro”
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O transcendente se define assim menos por sua transcendência real, que por aquilo que a redução nele mantém ou não de doação: o critério da imanência não reside mais em uma inerência real à consciência segundo uma relação psicológica, mas na doação evidente, pura e absoluta
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“Não é senão através de uma redução (Reduktion), que quereríamos também chamar agora redução fenomenológica (phänomenologische Reduktion), que eu conquisto uma doação absoluta (absolute Gegebenheit), não devendo mais nada à transcendência”
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As transcendências “nulas [e não ocorridas] para a teoria do conhecimento” não se metamorfoseiam eventualmente em doações absolutas senão na medida em que passam pela redução à imanência
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Mais nitidamente ainda: “… a doação de um fenômeno reduzido (die Gegebenheit eines reduzierten Phänomens) em geral é uma [doação] absoluta e indubitável”
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Entre o fenômeno reduzido e sua indubitabilidade, cabe à doação somente estabelecer o fator comum
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Ligação entre redução e doação se encontra então estabelecida, e firmemente, pelo próprio Husserl: um fenômeno só se torna absolutamente dado na medida em que foi reduzido; mas a redução só se exerce em contrapartida fenomenologicamente, a saber para dar, portanto fazer aparecer absolutamente o fenômeno