Paradoxal princípio “Quanto de redução, tanto de doação” jogando sempre posteriormente: não somente libera o fenômeno dos três princípios ainda
a priori, que lhe infligiam suas aporias
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Não somente contradiz a definição metafísica de todo princípio em geral (e neste sentido liberta a fenomenologia do projeto crítico)
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Mas sobretudo renuncia a fundar o fenômeno para lhe deixar — enfim — a iniciativa de sua aparição a partir de si
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Doação torna-se então menos uma opção fenomenológica entre outras, que se poderia aceitar ou recusar segundo seu humor ou sua escola, que a condição não fundadora e contudo absoluta da subida do fenômeno em direção à sua própria aparição
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Pode-se certamente sempre recusá-la; mas esta recusa bloqueia definitivamente a possibilidade para o fenômeno de se mostrar a partir de si mesmo e como tal
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Recusar o estatuto principial da doação — o princípio “Quanto de redução, tanto de doação” — equivale de fato e de direito a refechar a abertura fenomenológica
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Decisão sobre a doação equivale a uma decisão sobre a fenomenalidade do fenômeno
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Jovem Heidegger o viu perfeitamente, ao perguntar: “Que quer dizer 'dado', 'doação' — esta palavra mágica da fenomenologia e a 'pedra de tropeço' para todos os outros?”
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Para uns, o primado da doação faz escândalo, mas, ao recusá-la por preconceito, fecham-se a nada menos que à fenomenalidade do fenômeno
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Para outros, o que abre o acesso a esta mesma fenomenalidade do fenômeno permanece uma palavra “mágica”
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Os primeiros caricaturam tanto mais o encantamento suposto dos segundos, quanto retiram disso a glória da racionalidade
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Os segundos acentuam tanto melhor o assombro dos primeiros, quanto tiram disso o prestígio da audácia especulativa
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Mas poderia se dar que a recusa dos uns se acorde com o arrebatamento dos outros, irmãos inimigos apoiados sobre um único pressuposto: que a doação não pode (ou não deve) aceder ao conceito