Primeira aporia formal: a título de Eu transcendental, o “eu penso” não pode cumprir nenhuma individuação
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Porque exerce uma pura função abstrata, “… a representação Eu não abraça nela a menor diversidade e ela é uma unidade absoluta (bem que puramente lógica)”
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Unifica as diversidades, precisamente porque permanece uma vazia unidade, viúva de toda particularidade
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Intervém então como “… uma e a mesma em toda consciência”, de modo a interditar que “… eu tenha um si tão diferente e multicolorido [ein so vielfarbiges verschiedenes Selbst], quanto tenho de representações [diversas] das quais sou consciente”
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O “sujeito” assegura sua transcendentalidade ao preço de sua privação de toda qualidade, estabelece então sua universalidade em detrimento de sua identidade
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Reproduz assim a unicidade do intelecto agente, que a interpretação de
Aristóteles por Averróis já havia oposto à multiplicidade (empírica) dos entendimentos passivos, mas somente individualizados
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Que, nesta mesma tradição, obstinada a erradicar até a simples pretensão a um “si” individual, a individuação se encontre ao fim muito logicamente abandonada à matéria e portanto condenada sem retorno à ininteligibilidade, confirma simplesmente que o “eu penso”, entendido transcendentalmente, não pode precisamente jamais dizer, nem se dizer “eu”
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Ou, se o diz, não pode cumpri-lo como o seu, porque não pode nele atingir nenhum “si”
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Tudo se passa como se o “eu penso”, que pretende ter por função e fundação alienar o “si” do fenômeno objetivando-o, perdesse nesta destruição primeiro e sobretudo seu próprio “si”
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Donde um dilema evidente: se o “eu penso” a título transcendental não permite, melhor, interdita a individuação do “eu”, é preciso renunciar a pensar a subjetividade até sua irredutível individuação, ou renunciar a pensar a individualidade do “eu” a partir da figura transcendental do “eu penso”?
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Certamente, entre estas duas vias, seguir-se-á a segunda: pensar o “eu” segundo uma determinação mais originária que o “eu penso” ele mesmo e pedir ao atributário [attributaire] de conduzir até a individualidade última de um “si”