“Mim” empírico não vem aqui se acrescentar, como facultativamente, ao “eu penso” transcendental: a impressão originária, que somente dá acesso à temporalidade, não poderia absolutamente advir ao interior de uma unidade já originariamente sintética, nem de uma constituição transcendental de objeto (uma e outra pressupondo aliás esta temporalidade que recebem e organizam, mas não produzem, nem provocam)
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Ao contrário, a impressão originária só advém porque se dá de parte a parte e sem nada de objetivável
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Só entra assim na fenomenalidade enquanto sua doação se encontra nela recebida como o único evento originário
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Exige então que o Eu, salvo ignorá-la totalmente, renuncie ao estatuto de representação acompanhadora e originariamente sintetizante, para endossar a simples função de receptividade, em suma que deixe o “eu penso” pelo “eu sou afetado”
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Não se trata então aqui, com o “mim” empírico, de uma simples duplicata nem de um rival do Eu transcendental, mas já, sob este título ambíguo e obscuro, de um reviramento completo imposto à subjetividade inteira pela fenomenalidade irredutível da impressão originária do tempo
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Este fenômeno particular e somente absoluto impõe não somente ao Eu transcendental de cedê-lo definitivamente ao “mim” empírico, mas sobretudo ao “mim” empírico de assegurar sua primazia sobre a única receptividade à doação, portanto de se submeter perfeitamente a ela
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Mais: parecida receptividade, instituída como único a priori conveniente à doação (temporal) de que se trata enfim aqui, define exatamente, nos lugar e posição do Eu e mesmo do “mim”, a instância que se esgota inteiramente na função de receber, o “a qu[em]”, o atributário
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Aporia da empiricidade conduz então a reverter as duas faces da subjetividade metafísica em proveito da figura nova, cujo dativo sucede ao “sujeito” (nominativo)