Enfim, no futuro, nenhuma testemunha, por instruída, atenta e documentada que seja, poderá, mesmo depois, descrever o que se passa no instante presente
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Pois o evento desta tomada de palavra concedida por um público consentindo e uma instituição benevolente não mobiliza evidentemente apenas um quadro material
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Ele mesmo impossível de descrever exaustivamente, pedra por pedra, época por época, assistente por assistente
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Mas também um quadro intelectual indefinido
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Seria necessário explicar o que digo e o que quero dizer
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De onde o digo, a partir de quais pressupostos, de quais leituras, de quais problemas pessoais e espirituais
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Seria necessário também descrever as motivações de cada ouvinte
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Suas esperas, suas decepções, seus acordos tácitos e ditos, desacordos mascarados em silêncio ou exagerados pela polêmica
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Mais, para descrever o que a sala desta Sala dos Atos acolhe hoje como evento
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Tal hermenêutica deveria desdobrar-se sem fim e em uma rede indefinida
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Nenhuma constituição de objeto, exaustiva e repetível, saberia ter lugar aqui
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Por conseguinte o “sem fim” atesta que o evento adveio a partir de si mesmo
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Desta primeira análise, precisamente porque se apoia sobre um fenômeno de início simples e banal