Em 1973, no Seminário de Zähringen, a subjetividade cartesiana é definida como o obstáculo (
Barriere) ao questionamento do ser.
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A subjetividade, como fundamentum inconcussum desde Descartes, não é posta em questão quanto ao seu ser.
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Ela constitui assim um dique contra o início da pergunta que busca o ser.
Em 1974, em um dos últimos textos, a posição inaugural de Descartes no início do pensamento moderno é reafirmada através de seus tratados metodológicos.
A permanência e a abundância das referências cartesianas exigem, portanto, a elucidação de uma razão conceitual identificável.
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A questão que se impõe é qual motivo conceitual conduz e obriga Heidegger, do início ao fim de seu itinerário, a discutir com Descartes.
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A resposta a esta questão reside no cerro da crítica inicial: o tratamento cartesiano do ego como fundamentum que, ao mesmo tempo que inaugura uma era, encobre a questão do ser do ente que somos.