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A angústia resulta na prova do nada de todo ente, manuseável assim como subsistente: “Neste diante de que se angustia a angústia, torna-se manifesto o 'nada e nenhures'”
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Que este nada deva se entender como o mundo, não atenua o fato de que a angústia abre sobre o nada, sem nada de mais que este nada ele mesmo
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A consciência que prova sua dívida nela percebe um chamado, qualquer que seja; este chamado contudo não evoca e não exige nenhuma resposta, nenhuma reparação, nem nenhum preço onticamente atribuível: “Que chamado a consciência endereça àquele que ela chama? Em todo rigor: nada. O chamado não enuncia nada, não dá nenhuma informação sobre o que se passa no mundo, não tem nada a contar”
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A consciência de dívida não abre então o Dasein sobre um qualquer ente do mundo, senão sobre ele mesmo enquanto transcende os entes
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O ser-para-a-morte faz, em primeira aparência, exceção: jamais Heidegger indica que abriria, ele também, sobre o nada (que contudo toda a análise parece visar), mas somente sobre a possibilidade da impossibilidade
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Contudo, a antecipação em direção ao ser-para-a-morte abre finalmente o Dasein à possibilidade absoluta — absoluta pois englobando mesmo o impossível — onde cumpre plenamente sua transcendência em relação a todo ente, portanto se prova como tal
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Desde então, pois que no “… ser-para-a-morte, o Dasein se relaciona a ele mesmo como a um poder-ser insigne”, é preciso concluir que ele só se relaciona a nada de outro senão a si, portanto a nada de ente, ao nada
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Assim os três fenômenos que determinam o ser do Dasein como cuidado desobstruem a resolução antecipadora como uma ekstase aberta estritamente sobre nada
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O Dasein se descobre, no momento mesmo de se arriscar e se individualizar como o ente no qual está em jogo seu ser, uma identidade vazia a si