Uma aparente contradição interna da dialética se anuncia: se todos os fatos são apreendidos em sua necessidade histórica, não são todos os fatos então afirmados? Não obstaculizaria essa equivalência dialética de valores a verdade da decisão? – Mas o valor existencial autêntico é a verdade da existência, o que significa existir apropriadamente dentro da possibilidade autêntica da existência.
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É tarefa urgente diferenciar o valor individual de uma pessoa, sua existência e contribuição, da herança histórica e da situação histórico-social em que a pessoa se encontra.
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Deve-se examinar se e em que grau formas históricas concretas do Dasein – sistemas sociais – podem ser valiosas em e por si mesmas, de tal modo que formas históricas do Dasein necessariamente tornem impossível a realização de certos valores existenciais, sugerindo que a realização desses valores só se tornaria possível sob uma nova forma histórica do Dasein.
A dialética não pode apreender todos os âmbitos de valor – há valores do Dasein solitário, valores conquistados precisamente em reação à historicidade e cuja grandeza se alimenta, em grande parte, do heroísmo trágico da luta sem esperança contra a historicidade; a dialética pode demonstrar a marginalidade de tais figuras, formas e padrões, mas não diz nada sobre seu valor imanente.
É precisamente o conhecimento da historicidade que conduz à decisão mais momentosa: a decisão de lutar pela necessidade reconhecida, mesmo contra a própria existência herdada do Dasein, ou de permanecer em formas necessariamente decaídas de existência.