Publicidade do equipamento: tese de que a funcionalidade pressupõe acessibilidade pública e analogia com linguagem
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A possibilidade de algo funcionar como equipamento é associada à sua inserção em uma estrutura instrumental maior acessível, ao menos em princípio, a todos.
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Mesmo sem argumentação explícita heideggeriana, a publicidade do equipamento é sustentada por analogia com a tese wittgensteiniana segundo a qual a significação não depende de entidades privadas, mas do encadeamento de usos em um sistema.
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O caráter de equipamento é descrito como não decorrendo de uma intenção privada, mas da conexão do item com outros itens no interior de uma estrutura instrumental total, do mesmo modo que uma palavra é determinada pelo sistema linguístico.
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A sistematicidade é localizada nas conexões entre elementos do sistema e não em atos intencionais, de modo que, por ser sistemático, o sistema é público.
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A publicidade é reforçada pela exigência de adequação material e funcional do equipamento às tarefas, de modo que a atribuição voluntarista de ser-martelo a um fio não pode produzir a funcionalidade correspondente.
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A personalização de ferramentas é reconhecida como possível, mas sem romper o ponto de que ferramentas permanecem, em graus diversos, utilizáveis por outros, e mesmo mecanismos de bloqueio apenas tornam privado o que é, em princípio, apropriável por outros.
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Conclui-se que o espaço do equipamento é necessariamente público tanto por sua ordenação sistemática quanto por sua orientação a tarefas, e isso redireciona a análise para o ser-com-outros como estrutura tão essencial quanto o ser-junto-a coisas.