Este ponto radiante e tensorial, independente de qualquer sistema de coordenadas, é uma ilustração espacial rigorosa do aspecto verbal.
Klee une explicitamente o decisivo e o originário, identificando o momento cosmogénético com o conceito de ovo, reatando assim com a simbolização de Phanès e do Aiôn.
O objetivo do artista é estabelecer-se no centro orgânico da criação, onde se determina todo o movimento espaço-temporal.
A língua realiza, na sua estrutura gramatical, a união entre Aiôn e Kairos que a arte busca, através do processo de cronogénese no sistema verbal.
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A génese do esquema temporal subjacente ao sistema verbal converge para um ponto focal virtual que se torna real no presente do indicativo.
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Este processo é descrito como uma marcha ao estreito, uma progressão longitudinal que, desde a infinitude escalar do verbo no infinitivo, avança para a finitude extrema do presente.
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O presente do indicativo constitui um limite, uma interpolação ou corte na infinitude do tempo.
A constituição completa do tempo requer compreender uma operação complementar e simultânea à marcha ao estreito.
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A interpolação do presente como limite não reduz a infinitude do tempo, mas modifica a seu estrutura, ou seja, a cronótese ou sentido do tempo.
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No modo subjuntivo, a infinitude do tempo é cinética, com uma extensão bilateral indeterminada.
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No indicativo, com a interpolação do presente separador, a infinitude aparece bilateralmente dividida em passado e futuro, ambos como extensões unilaterais determinadas que têm origem nesse presente.
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Esta transformação é uma marcha ao largo, uma abertura transversal em direção ao passado e ao futuro.
A abertura dos horizontes temporais não é um mero efeito da inserção de um limite, mas depende de uma redefinição ontológica do presente.
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O poder-ser de uma presença é o que suscita o horizonte sob o qual ela existe.
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Um presente-limite, fundado pelo tempo, é substituído por um presente-origem, fundador do tempo.
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A partir deste novo estatuto, as extensões do tempo tornam-se protensão e retenção.
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O presente não interpola uma fração do tempo, mas extrapola a partir de uma presença extática.
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Esta perpétua gênese do presente como origem, em todo o momento dado como limite, é o sempre.
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O presente é, portanto, identificado com o Kairos, o momento decisivo que abre o tempo fixando o seu sentido.
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O momento cosmogenético manifesta-se tanto no aspecto, como energia criadora das tensões de duração, quanto no presente como Kairos.
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O problema central reside em unir estas duas origens, o que equivale a compreender a dupla dimensão do presente como instante-limite e presente-origem.
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A raiz deste problema é o paradoxo do jorro do presente no sempre, onde o sempre remete para o Aiôn, conceito que evoluiu para significar a eternidade.
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A solução para este problema exige considerar a triplicidade das dimensões temporais e a estrutura diastólica-sistólica da presença.
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Os horizontes de anterioridade e posterioridade do presente estão unidos na diástole-sístole da presença.
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Esta pulsação já está em esboço provisório em todos os níveis anteriores da cronogênese, no eixo longitudinal da construção do esquema temporal.
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Isto significa que o presente tem também um horizonte de originariedade que se abre ao nível do Aiôn.
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A presença já está lá, antes do presente do indicativo, projetada no aspecto e no Aiôn.
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Com a constituição integral do tempo, a presença toma posição, como presente, em relação ao seu mundo, e só no termo desse processo se recolhe a si mesma.
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A análise da constituição do tempo encontra uma correspondência estrutural precisa no sistema pulsional do eu, conforme analisado por L. Szondi.
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O estreitamento evidenciado por Guillaume corresponde à egossístole, associada ao fator catatônico (k) que implica um estreitamento do eu.
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A abertura dos horizontes presenciais corresponde à egodiástole, associada ao fator paranoide (p) que implica uma extensão do eu.
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Cada um destes fatores tensores é constituído por uma tensão bipolar de radicais operativos do eu.
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Fator k: (k+) introjeção, (k-) negação.
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Fator p: (p+) inflação, (p-) projeção.
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O presente é o cruzamento onde se articulam estas instâncias pulsionais, configurando um campo de possibilidades temporais.