LEVINAS, Emmanuel. Hors sujet. Paris: Livre de Poche, 1997.
Reunimos neste volume alguns de nossos textos antigos, dispersos em várias publicações e dedicados aos trabalhos de alguns filósofos contemporâneos que relatam — e dão grande importância — ao pensamento que anima — ou melhor, a um pensamento que realiza e promove — a proximidade entre os homens, a proximidade do próximo ou a acolhida que o homem dá ao homem. [Prefácio]
Martin Buber, Gabriel Marcel e, em grande parte, Franz Rosenzweig, mencionados em nosso volume, insistiram nessa inteligibilidade fora do assunto objetivante — mas também implicitamente, em suas descrições do ser humano, Jean Wahl, Vladimir Jankélévitch, Maurice Merleau-Ponty, Alphonse de Waelhens e Michel Leiris. Partindo de problemas formulados de maneira diferente, usando uma linguagem diferente, mas procedendo de inspirações filosóficas não menos elevadas, eles não se limitam às estruturas impostas ao pensamento pela correlação sujeito-objeto para compreender o sentido no homem.
Nas páginas relativas a esses pensadores, acrescentamos duas breves observações sobre o problema dos “direitos humanos”, por um lado, e sobre a vida da linguagem, por outro, indo da “neutralidade” das noções abordadas em seu sentido objetivo às suas modificações à “luz do rosto humano” à qual é preciso remontar, embora, na objetivação, o rosto já seja “irreconhecível”. O conjunto termina com um estudo inédito em que o papel do sujeito é examinado a partir da fenomenologia husserliana e onde sua posição, fundadora da verdade — sua identidade pura e impassível do eu transcendental —, é referida a uma gênese ética, intriga espiritual que se entrelaça entre os humanos, antes de suas avatares de sujeitos e objetos, que suspendem sem interromper essa intriga da transcendência e da responsabilidade, de unicidade a unicidade, da qual provém e para onde retorna o eu puro. [Prefácio]