Distinção entre tonalidades quotidianas e tonalidades de fundo (ex.: angústia, tédio, espanto), estas últimas fundamentais por suspenderem a evasão e colocarem o ser humano por inteiro face a si mesmo e ao mundo.
Exemplo da tristeza como modelo analítico para desvendar a estrutura da Stimmung: sua essência não é um estado interno, mas uma transformação do *como* (Wie) do ser-com e do estar-no-mundo.
Revolução conceitual decorrente do pensar a partir da Stimmung: superação da psicologia dos estados internos e da metafísica da subjetividade.
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Tonalidades não são afetos intrapsíquicos transmitidos por empatia, mas manifestação primária do ser-com originário.
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A abertura tonal “põe fora de si” e funda a corporalidade como habitação e a linguagem como expressão.
Nexo intrínseco entre Stimmung e linguagem poética: a palavra poética tem por fim próprio partilhar as possibilidades existenciais da tonalidade.
Relação constitutiva e problemática entre Stimmung (tonalidade) e Bestimmung (determinação/vocação).
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Toda determinação ou condição de possibilidade (Bestimmung), inclusive a do ser, deve ser pensada a partir da afinação (Stimmung).
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A análise da Stimmung é a primeira figura da Lichtung (clareira).
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A contradição aparente entre o “estar sempre já afinado” e a tese “há muito o homem está desafinado (stimmungslos)” resolve-se na questão: “A *quê* se está afinado?”.
Evolução do pensamento de Heidegger sobre a origem do tom, deslocando-a progressivamente do “mundo” para instâncias mais originárias.
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O tempo como potência histórica que adjunta e possibilita a afinação (1934).
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A pátria (Heimat) como potência telúrica que dá o tom (1934/35).
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A tonalidade como aquilo que nos “encontra lugar” (versetzt) e funda um espaço-de-tempo (1937/38).
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Os deuses gregos como die Stimmenden, os que dão os tons, a partir de seu ouvir o ser (1942/43).
Conclusão metafísica: a fonte última da tonalidade é o ser mesmo, que se dá a ouvir como voz silenciosa da linguagem.