A obsessão pela publicação é alheia ao pensamento genuíno; exemplos:
Kant guardou silêncio por mais de dez anos antes de publicar a
Crítica da Razão Pura;
Schelling publicou pouco após seu tratado sobre a liberdade, num silêncio que não era decadência criativa.
Em entrevista de 1966, Heidegger sugere que o caminho do pensamento hoje pode exigir calar-se para evitar que o pensamento seja barateado e consumido em um ano.
Nos
Contribuições à Filosofia (
GA65:§13), indica que se uma história ainda nos for dada, será aquela que, mantendo-se em retraimento dos eventos da historiografia, advém a partir da grande paz silenciosa (
die große Stille) dentro da qual o reino do último deus poderia dar figura ao mundo.
Na noite do mundo, o que haveria a dizer ainda não foi dito com a decência requerida.
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O silêncio do qual nasce a palavra poética transparece nela e prepara um modo de dizer cuja sobriedade, evitando o mutismo e a tagarelice, dá a ouvir, através do que é dito, aquilo que não é dito.
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Verso de
Hölderlin em “Retorno”: “Fazer silêncio nós devemos frequentemente; faltam, os nomes sagrados”.