O ponto de entrada de Heidegger na filosofia de Schelling é o escrito de 1809,
Recherches philosophiques sur l'essence de la liberté humaine, anteriormente considerado um mero “escrito de circunstância”.
-
Heidegger, em seu curso de 1936, restitui a importância deste tratado, revelando sua griffa.
-
O escrito desdobra, a partir da essência da liberdade humana (distinta da liberdade divina), a questão de um “sistema da liberdade”, entendido por Heidegger como um ajointement (Gefüge).
Heidegger isola este escrito como uma joia e uma placa giratória na obra de Schelling, iluminando tanto seus períodos anteriores (filosofia da identidade, da natureza, da arte) quanto posteriores (filosofia “positiva” da mitologia e revelação).
-
Destaca a oposição entre existência e o fundo obscuro (Grund), análoga à da luz e da gravidade.
-
Nota-se, porém, uma ausência de conexão explícita entre a nova concepção heideggeriana do tempo (1927) e os Weltalter de Schelling, que elaboram uma concepção não cronológica do tempo.
Três volumes da edição integral (Gesamtausgabe) são dedicados a Schelling: tomo 28 (sobre o idealismo alemão), 42 (curso de 1936 sobre a liberdade) e 49 (curso de 1941, revisitando o tratado de 1809).
-
Heidegger reconhece a estranheza entre sua filosofia da finitude e o projeto do idealismo alemão de “superar tudo o que é da ordem do finito”.
-
No entanto, ele se pergunta centralmente o que o idealismo alemão, e Schelling em particular, tem a dizer.
-
Schelling é apresentado como o “cume do idealismo alemão” (tomo 49), um pensador que, aos olhos de Heidegger, corre mais riscos filosóficos que
Hegel.
A reavaliação de Schelling, libertando-o da sombra de Hegel, deve-se em parte ao trabalho de Heidegger.
Heidegger faz um comentário único e notável sobre um retrato fotográfico de Schelling (um daguerreótipo de 1848).