Heidegger isola este escrito como uma joia e uma placa giratória na obra de Schelling, iluminando tanto seus períodos anteriores (filosofia da identidade, da natureza, da arte) quanto posteriores (filosofia “positiva” da mitologia e revelação).
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Destaca a oposição entre existência e o fundo obscuro (Grund), análoga à da luz e da gravidade.
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Nota-se, porém, uma ausência de conexão explícita entre a nova concepção heideggeriana do tempo (1927) e os Weltalter de Schelling, que elaboram uma concepção não cronológica do tempo.
Três volumes da edição integral (Gesamtausgabe) são dedicados a Schelling: tomo 28 (sobre o idealismo alemão), 42 (curso de 1936 sobre a liberdade) e 49 (curso de 1941, revisitando o tratado de 1809).
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Heidegger reconhece a estranheza entre sua filosofia da finitude e o projeto do idealismo alemão de “superar tudo o que é da ordem do finito”.
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No entanto, ele se pergunta centralmente o que o idealismo alemão, e Schelling em particular, tem a dizer.
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Schelling é apresentado como o “cume do idealismo alemão” (tomo 49), um pensador que, aos olhos de Heidegger, corre mais riscos filosóficos que
Hegel.
A reavaliação de Schelling, libertando-o da sombra de Hegel, deve-se em parte ao trabalho de Heidegger.
Heidegger faz um comentário único e notável sobre um retrato fotográfico de Schelling (um daguerreótipo de 1848).