Falta uma compreensão suficientemente originária da
alètheia, que não é primariamente um caráter do comportamento cognoscente, mas do ente em causa, e do que ela combate, o
lèthe (esquecimento), que também não remete a um estado subjetivo, mas ao retraimento daquilo que está em causa.
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A verdade como arrancamento ao escapamento torna-se o contrário da não-retidão: a retidão.
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Que primeiramente o ente se retire, eis a razão pela qual quem busca conhecê-lo não pode mais ajustar seu olhar sobre ele.
Da
inverdade determinada como falsidade desde Platão resulta a verdade definida exclusivamente como exatidão (
Richtigkeit) e, com isso, a indiferenciação entre verdade e exatidão.
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O que é exato não é necessariamente (ou ainda não é) verdadeiro.
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Enquanto aquilo que está em causa não for retido em sua “nudez primeira”, em seu Wesen, a exatidão pode passar-se por verdade.
Ir à contracorrente deste movimento, “buscar o verdadeiro através do exato e para além dele” é a única condição que, fazendo-nos remontar do exato para o verdadeiro, também nos expõe à nossa finitude e à nossa relação com o ser, abrindo a possibilidade de ouvir o que Heidegger tentou dizer com a inverdade como Wesen da verdade.