Para o jovem Heidegger, Dilthey aparecia sobretudo como defensor da historicidade da vida, em contraste com a fenomenologia husserliana de inspiração teórica que reivindicava sua própria anistoricidade ou mesmo hostilidade em relação à historicidade, preparando assim sua guinada transcendental, enquanto o projeto diltheyano essencial consistia em compreender a vida a partir dela mesma, como arquifênomeno irredutível, recusando um sujeito transcendental atemporal em favor do complexo interativo do eu concreto, vivo, livre e histórico, que se adquire mediante um trabalho duplo de expressão e compreensão, aproximando-se assim da hermenêutica da facticidade que caracteriza os primeiros desenvolvimentos do pensamento heideggeriano.