Ludwig
Binswanger e a primeira fundação da Daseinsanalyse psiquiátrica: O psiquiatra suíço Ludwig Binswanger, formado na fenomenologia husserliana e em diálogo crítico com a psicanálise freudiana, foi o primeiro a buscar fundamentar uma psiquiatria fenomenológica na analítica do Dasein de Heidegger. Após a leitura de
Ser e Tempo, ele utilizou conceitos como “ser-no-mundo” como “fio de Ariadne metodológico” para caracterizar os mundos alterados na psicose (ex.: na esquizofrenia) e os estilos existenciais (ex.: na mania). No entanto, segundo Heidegger e Medard
Boss, a apropriação de Binswanger manteve-se prisioneira de uma compreensão ainda subjetivista. Ao tentar “complementar” o “lúgubre cuidado” heideggeriano com o fenômeno do “amor” e ao focalizar-se excessivamente no “ser-no-mundo” de modo dissociado da unidade da analítica, Binswanger, na verdade, não teria rompido com a fenomenologia da consciência de
Husserl. Sua “análise existencial” (como foi inicialmente traduzida) constitui, assim, um “mal-entendido produtivo” que, apesar de seus méritos clínicos inegáveis (como evidenciado no tratamento de Aby Warburg), não realizou uma fundação radicalmente nova da terapêutica.