Em carta de 1918 intitulada
“Dans le toi vers Dieu”, Heidegger descreve o “tu” como uma vivência fundamental (
Grunderlebnis), uma totalidade cujos fluxos atravessam a existência, permitindo que o amor e a confiança conduzam o ser a se desdobrar e crescer; essa experiência, embora inicialmente dirigida a Deus, deslocar-se-á, após o abandono das aspirações religiosas, para a fé na própria existência (
an das Dasein selbst), onde a abertura ao outro torna-se o solo da possibilidade do amor, como expresso em carta a Hannah
Arendt (22/06/1925): “Somente uma fé [na existência mesma], que é fé no outro — e que é amor —, pode levar a sério um 'tu'.”