A altérité em Heidegger não se limita ao relacionamento intersubjetivo, mas emerge na própria estrutura do
Dasein: o “ser cada vez meu” (
Jemeinigkeit) funda-se em uma estranheza primordial (
ETFV, 189), pois o ser não é uma posse, mas o “outro puro e simples” (
das schlechthin Andere), “o totalmente outro” (
das ganz Andere), como desenvolvido na
diferença ontológica, que não se deixa reduzir a nenhuma identidade metafísica; essa alteridade radical culmina no conceito de
Ereignis, onde ser e ser humano, em sua mútua pertencência, conservam sua diferença, permitindo que a alegria pela presença do
Dasein de um ente querido — não da mera pessoa — se revele em sua pureza (
GA9, 110).