A impossibilidade de apreender a abertura do
Da buscando fundá-la em algo ente foi uma descoberta gradual para Heidegger, exigindo que seu pensamento se aventurasse além dos caminhos metafísicos tradicionais; em
Vom Wesen des Grundes (1929) e
Vom Wesen der Wahrheit (1930), torna-se evidente que a estrutura constitutiva do “ser-aí” — inicialmente chamada de “transcendência” — revela não ter outro fundamento senão a liberdade, entendida como traço de um ser que só é a si mesmo ao deixar abrir-se o espaço onde o ente pode desdobrar-se; ao final de
Vom Wesen des Grundes,
Abgrund designa esse “fundo” da liberdade humana que é a abertura do
Da, onde o ser humano, exposto e lançado, é chamado a responder à presença do ente, dando-lhe lugar para ser; aqui, a partícula
ab- não indica negação, mas o recuo daquilo que se retira para deixar espaço, revelando-se, nos
Beiträge zur Philosophie, como “um gênero insigne de abertura” (
GA65, 242), permitindo que todas as coisas entrem em ressonância mundial segundo o movimento que Heidegger nomeia
Lichtung (clareira).