A consideração temática do horizonte onde banha toda presença intuitiva não é excluída da fenomenologia da razão, mas esta se mostra incapaz de captar sua verdadeira significação, movendo-se antes no esquecimento ou na falsificação dela, por três razões
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o interesse pelo horizonte que cerca toda presença efetiva permanece subordinado, numa perspectiva intuicionista, à consideração do conteúdo determinado da efetividade transcendente, substituindo-se o conteúdo do horizonte pela forma mesma desse horizonte como tema da reflexão, e estabelecendo-se uma prioridade do dado originário sobre o simplesmente visado
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a análise do modo pelo qual o dado originário deve substituir o simples correlato da intenção significante implica reflexão sobre a estrutura do horizonte próprio de cada região do ser, dotada de estrutura eidética determinada que prefigura o trajeto da intencionalidade, mas o que é considerado é sempre apenas uma estrutura eidética particular, faltando a essência do horizonte enquanto tal
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o intuicionismo é incapaz de pensar a essência do horizonte porque busca alcançá-la pelo modo da realização intuitiva, encontrando-se diante de uma singularidade eidética no momento mesmo em que o horizonte se torna tema, sendo o horizonte precisamente o que escapa ao pensamento quando este quer intuicionar sua essência, faltando-a no princípio de maneira tanto mais completa quanto mais explicitamente a toma por tema
A ontologia fenomenológica universal, que compreende como tarefa fundamental a elucidação do horizonte pensado como essência absoluta, não escapa a essa dificuldade, bastando-lhe porém ser consciente da obscuridade fundamental que pertence por princípio à essência para vivê-la como tal no mistério, ao passo que a fenomenologia da razão não escapa a uma contradição que não percebe
A análise da consciência confusa constitui, para o pensamento que não quer faltar à essência, um fio condutor mais seguro que o exame sistemático dos tipos de consciência que alcançam na evidência um conteúdo estritamente determinado
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na consciência não intuitiva, para a qual nenhum dado rigorosamente circunscrito emergiu ainda da indeterminação do horizonte, a apercepção desse horizonte não está mascarada, não podendo a riqueza intuitiva de uma presença singular desviar a atenção da reflexão sobre o horizonte que torna possível toda presença como tal
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a tarefa permanece a de captar esse horizonte não como simples horizonte psicológico confundido com os conteúdos que o preenchem, mas como a condição transcendental de um objeto em geral, forma pura da objetividade que prefigura e precede todo objeto como tal
O que permite a todo ser manifestar-se, tornar-se fenômeno, é o meio de visibilidade onde ele pode surgir a título de presença efetiva, sendo o desdobramento desse meio, horizonte transcendental de todo ser em geral, obra do próprio ser
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a consideração desse horizonte transcendental, ou horizonte fenomenológico universal, não difere do pensamento do ser, sendo essa tarefa a da ontologia fenomenológica universal que domina, a título de condição, toda ontologia particular e toda ciência ôntica
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toda verdade relativa a um ente determinado é relativa ao seu estado manifesto, à sua presença, e toda verdade predicativa supõe a manifestação do ente visado, isto é, uma verdade de ordem ôntica, que por sua vez remete à verdade ontológica
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tal manifestação nunca é o simples correlato de uma representação ou intuição, produzindo-se sempre no interior de um meio já aberto que a torna possível, sendo essa abertura a aperture do ser, pois só porque o ser é desvelado o ente pode se manifestar, instituindo-se assim uma problemática fundamental à qual toda pesquisa determinada deve reconhecer sua subordinação