Perde-se a significação da fenomenologia da razão ao reduzi-la a preocupações de ordem exclusivamente ôntica, ainda que as ciências, numa crise dos fundamentos, considerem por si mesmo o rebaixamento ontológico sobre o qual se apoiam implicitamente, sendo então convocada a razão à sua destinação filosófica própria
A pesquisa que toma por tema o sentido do ser em geral, a ontologia fenomenológica universal, distingue-se das ontologias regionais e também da ontologia formal, a qual domina apenas de modo formal as diversas ontologias regionais
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ao refletir sobre a essência da região considerada como forma vazia de uma região em geral, a ontologia formal só pode prescrever às ontologias materiais uma legislação comum de pura forma, sendo incapaz, com suas categorias analíticas, de submeter as categorias sintéticas das regiões materiais
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tal preeminência não é sequer evidente, pois é no reino das essências materiais que a ontologia formal extrai sua origem, já que a essência pura de uma região em geral é necessariamente relativa a algo como uma região concreta
À dependência fundamental da ontologia formal, a ontologia fenomenológica universal opõe sua autonomia e suficiência primeira, sendo o universal que ela exibe um termo concreto pressuposto por cada região do ser, o próprio ser, essência primordial de toda região e de tudo o que é
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o ser individual, o gênero, a espécie lhe são submetidos não por regulação formal ou lógica exterior, mas em seu próprio ser, sendo o ser presente em todo objeto como o que lhe permite estar presente, realizando a essência da presença
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questiona-se se essa essência da presença não se reduziria a uma forma vazia acoplada a uma existência material, e se a essência da presença não significaria antes a dissolução de toda presença efetiva
É a essência que se anuncia nessa dissolução, sendo o desaparecimento de todo existente efetivo, com a tonalidade afetiva que o acompanha, o dado fenomenológico sobre o qual deve apoiar-se todo pensamento que queira realizar a essência
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a essência se propõe como o que não é o ente, o que não é nada do que existe, mas não é simples negação nem pura privação, sendo antes essência mesma justamente por ser essa privação, de modo que ser indigente e ser, para o ser, é a mesma coisa
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o ser não é ser senão sobre o fundamento do Nada nele, sendo o nada uma operação efetiva pela qual o ser se realiza, nada real que ao nadificar realiza a essência do ser e origina a expulsão para fora do ser pela qual o ente é promovido a existente
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o ser apresenta-se à reflexão do filósofo como um nada relativo, tomado em sua relação ao ente como o que não é o ente, transgressão do ente só possível sobre o fundamento de um nada real que constitui a essência mesma do ser
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o tema da ontologia fenomenológica universal não é assimilável a uma essência puramente formal ou vazia, nem termo abstrato de metafísica oca, mas na indigência em que se angustia o pensamento do ser levanta-se a essência absoluta em sua concreção mais alta, identidade do ser e do nada
A ontologia fenomenológica universal esbarra necessariamente na questão de saber se é outra coisa senão um jogo de palavras e conceitos sem correspondência estrita, mas quando tal objeção se esclarece a si mesma interpreta-se como progresso do pensamento no trajeto que leva à essência
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é a essência positiva do ser que se desvela no caráter aparentemente inessencial da essência, e que tal essência seja positiva em sentido último manifesta-se no fato de ser a condição em que tudo o que é encontra seu fundamento, sendo a ontologia fenomenológica universal, assim orientada, a ontologia fundamental