JONAS, Hans. Poder o impotencia de la subjetividad. Barcelona: Paidós, 2005.
Introdução
Um episódio da história das ciências naturais
1. Por volta de 1845, formou-se em Berlim um grupo de jovens fisiologistas ligados a Johannes Müller, entre os quais Ernst Brücke, Emil du Bois-Reymond e Hermann von Helmholtz, que pretendiam transformar a fisiologia em ciência exata mediante a exclusão de toda força distinta das forças físico-químicas comuns, embora o próprio compromisso assumido por eles pressupusesse uma subjetividade capaz de orientar causalmente a conduta corporal.
2. A exclusão metodológica da psyche e das forças vitalistas do estudo científico do corpo era legítima, embora produzisse uma antinomia teórica inevitável entre a necessidade dessa exclusão e a realidade da subjetividade.
3. A consciência ou subjetividade permanece ainda mais inegável do que o próprio corpo, mas sua origem física e sua coexistência com uma base material conduzem aos limites do conhecimento natural expressos por Emil du Bois-Reymond na fórmula ignoramus et ignorabimus.
4. O problema psicofísico continuou perturbando a filosofia e as ciências naturais porque nem o materialismo nem o idealismo unilateral conseguem resolvê-lo, ao passo que a distinção kantiana entre fenômeno e coisa em si apenas desloca a liberdade para um domínio inteligível inacessível ao conhecimento.
5. A confissão de ignorância diante do insondável não deve encerrar a investigação, pois a limitação dogmática das afirmações naturalistas condena a consciência à impotência, elimina a responsabilidade e exige novo enfrentamento do problema psicofísico, ainda que apenas para corrigir conceitos deformadores e buscar a compatibilidade entre seus elementos.
6. A investigação deve determinar o estatuto da subjetividade na estrutura integral da realidade e sua posição objetiva no ser, examinando sucessivamente o problema psicofísico originado na visão naturalista, a fórmula do epifenômeno e uma hipótese mais adequada ao caráter dicotômico da experiência.
O objeto da controvérsia no problema psicofísico: verdade ou mentira da consciência
7. A existência da subjetividade pode ser compreendida como eficácia real da vontade sobre o corpo ou como aparência enganosa produzida por processos fisiológicos, devendo a segunda posição justificar sua suspeita contra a evidência imediata sem depender apenas da pretensão de que a própria consciência seja ilusória.
8. As razões mais fortes para negar eficácia causal à vida interior consistem no argumento da incompatibilidade, segundo o qual a determinação física não admite interferência psíquica, e no argumento do epifenômeno, segundo o qual o próprio psiquismo seria incapaz de agir por estar unilateralmente subordinado aos processos físicos.