JONAS, Hans. Poder o impotencia de la subjetividad. Barcelona: Paidós, 2005.
I. A tese da inadmissibilidade física das causas psíquicas (o argumento da incompatibilidade)
1. O argumento
1. A inadmissibilidade da intervenção de causas psíquicas no processo natural decorre da pressuposta validade incondicional das leis físicas de conservação, segundo as quais qualquer eficácia mental sem antecedente físico violaria a concatenação causal do mundo corporal e reduziria a consciência da vontade, dos fins e dos objetos sensíveis a uma aparência enganosa e desprovida de finalidade própria.
2. Crítica
2. A crítica ao argumento da incompatibilidade deve inicialmente permanecer imanente e avaliar sua consistência interna, sem se apoiar no caráter absurdo das consequências que dele resultam.
a) O caráter ideal do fisicalismo incondicional
3. O argumento da incompatibilidade não decorre simplesmente da validade empiricamente demonstrada das leis de conservação, mas da idealização de sua validade absoluta e sem exceções, mediante a qual uma norma física instituída pelo pensamento é convertida em proibição ontológica contra toda influência psíquica.
b) A lógica do problema da compatibilidade
4. O argumento da incompatibilidade apenas assinala uma dificuldade conceitual e não determina previamente se deve ser revisto o conceito do fenômeno que se pretende compatibilizar, a norma física que se opõe à conciliação ou ambos, exigindo-se uma comparação imparcial entre as forças probatórias e as consequências teóricas de cada alternativa.
c) A exageração histórica do ideal determinista
5. A oposição entre a experiência interior e o determinismo físico foi historicamente exagerada pela atribuição à natureza de uma exatidão absoluta e homogênea semelhante à matemática, embora o desenvolvimento das próprias ciências naturais tenha mostrado que a flexibilização dessa imagem não destrói a verdade científica e pode permitir a interação psicofísica sem comprometer a ordem causal.