Para o Heidegger de Ser e Tempo, não há raízes terrestres que sustentem a presença humana no mundo, e a natureza, especialmente a elucidada pela fisiologia, não ajuda a compreender algo fundamental sobre a presença no mundo, sendo o abismo que separa o homem da animalidade talvez mais profundo do que o que o separa do divino.
A equivalência proposta entre física e aletheia torna-se enigmática, pois a estrutura comum de desvelamento e recolhimento não esclarece a especificidade dos seres ou das manifestações da ordem natural, e seria implausível supor que a natureza é completamente histórica.
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O surgimento puramente “físico” parece exigir uma força, uma espontaneidade particular de produção repetitiva, cíclica e rítmica, e uma opacidade e massa que devem ser chamadas de materiais, reconhecendo na física um elemento irredutível a toda historicidade.
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Atribuir à natureza o status de “material dotado de força” reintroduziria uma metafísica do fundamento natural, o que não é o intuito do conceito heideggeriano de física ou Terra, que não rompe com o esforço fenomenológico anti-romântico de estabelecer a irredutibilidade do Dasein ao orgânico.
A questão sobre como falar da Terra, se é impossível falar fora do ser, leva a uma “razão bastarda” que faz o fundamento noturno e não manifesto do mundo manifestar-se na claridade da verdade, pois a Terra é o que retorna e se fecha em si mesma, sendo seu segredo inexpugnável.
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A Terra não é a substancialização da dimensão de recolhimento do ser, mas a aparição concreta da física na medida em que ela se retira, e a esfera do mundo pode ser misturada com a Terra por meio de um “conflito” onde nenhum é vencedor ou vencido.
A redescoberta da Terra significa uma reintegração do “sensível” e do corpo na meditação de Heidegger, aparecendo em interpretações da mão, visão e audição como pertencentes a uma dimensão “terrestre”, que se distingue do espaço fenomenológico do “corpo próprio” e do sensível platônico por depender de uma sintonia afetiva que sempre o envolve.
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A dimensão terrestre, para ser revelada e ter sentido, depende de uma disposição afetiva que remete a um já-aí, a um passado nunca presente que tem a ver com o que a tradição chama de natureza, mas que também participa da transcendência e da possibilidade de projeção para além do espaço onde o Dasein se encontra de fato.