Estado de coisas estranho no cerne do nihilismo consumado remete ao esquecimento do Ser em prol da fascinação pelo apenas ente.
Principais épocas da história do Ser, legíveis na história da metafísica ocidental, são movimentos de retenção e suspensão (epokhē).
Fórmula: O Ser se retira na mesma medida em que se desvela no ente exprime traço fundamental do Ser.
Traço segundo o qual o Ser mesmo, até no movimento de sua eclosão e desvelamento, guarda seu quant-a-si numa recusa enigmática.
O re-velamento permanece inerente ao traço da recusa que ali se retém e permanece em seu quant-a-si.
Este traço de fundo do Ser é chamado de a época do Ser ou seu caráter epochal.
É aquilo a que pertence, em última instância, a história do mundo propriamente dita, i.e., a história do Ser e a economia secreta do Ereignis.
Se, no coração do Ereignis, nada é mais caro à eclosão que o retraimento, e se a metafísica é uma época da história do Ser mesmo…
…então o nihilismo pode não lhe ser estranho, e a metafísica, como história da verdade do ente como tal, é em sua essência nihilismo.
Nihilismo pertence ao retraimento do Ser mesmo no coração de sua dispensação.
Pertence, pois, àquilo de que se trata no coração do Ereignis: que o próprio Ser (Seyn) ali se retira em seu próprio re-velamento.
Ou ainda: que o Ser se furta ao ente.
Isto significa que, até no extremo perigo, o nihilismo abriga algo que pertence à essência do segredo em que a verdade da essência desdobra sua essência.
Pensado a partir da dispensação do Ser, o nihil do nihilismo significa que do Ser nada há (o Ser é tido por nada).
O Ser não vem à luz de sua própria essência; no aparecer do ente como tal, o Ser mesmo permanece fora; falta a verdade do Ser; ela permanece esquecida.
Assim, o nihilismo seria, em sua essência, uma história que se dá com o Ser mesmo.
Conclusão: Se a metafísica é uma época da história do Ser mesmo, e se em sua essência mesma, a metafísica é nihilismo –, a essência deste último pertence à história na qual o Ser mesmo desdobra sua essência.