Precisões sobre o alvo e a tendência positiva da destruição.
É importante precisar sobre o que deve e não deve incidir o momento propriamente destrutivo da Destruktion.
Deve-se lembrar frequentemente a que tende a tendência positiva da destruição: inteiramente ligada a uma apropriação produtiva do sentido do Ser.
A função da destruição da tradição não deve ser entendida como devaste, mas como Wiederholung (repetição), no sentido preciso que a questão do Ser dá a esta palavra: uma franca re-petição da questão do Ser.
Não consiste em destruir com a tradição esclerótica o que constitui seu fundo, recurso e legado antigo, mas em dar hoje a esse fundo inicial a possibilidade de uma metamorfose libertadora.
A ontologia fundamental é apenas uma repetição que se nutre dessa antiguidade, dessa primazia. Mas esta só se transmite a nós nessa mesma repetição se lhe dermos a possibilidade de sua metamorfose.
A tradição, como repercussão mais exteriorizada, impede justamente que o problema, na repetição, realize sua metamorfose. Ela repercute proposições e opiniões rígidas, modos rígidos de questionar e de reconhecer os lugares.
Esta tradição exterior de opiniões e pontos de vista que se dá livre curso é chamada hoje de história dos problemas (Problemgeschichte).
A luta é contra os maus administradores da tradição, não contra a Antiguidade em si.
O objetivo é proporcionar a esses problemas-de-fundo, à metaphysica naturalis que tem seu jazigo no próprio ser-o-aí, uma ocasião de metamorfose. Isso é o que Heidegger entende por destruição da tradição. Não se trata de fazer tabula rasa dos dois últimos milênios para se instalar em seu lugar.