O título inicialmente previsto para Vérité et méthode, Verstehen und Geschehen, remete à ideia de acontecimento inspirada em Heidegger, mas não de modo linear, pois, em
SZ, Geschehen surge na análise da historicidade do Dasein e não na dos §§ 31 e 32 sobre o compreender, enquanto
Gadamer aproxima-se mais de Ereignis, termo central do segundo Heidegger, compreendendo-o no sentido corrente de acontecimento para designar o advento da compreensão que não se reduz a domínio e controle.
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Dessa concepção decorre outra compreensão da tradição, pois, ao passo que Heidegger a tematiza sob o programa de destruição da tradição da ontologia por seus encobrimentos,
Gadamer questiona a disponibilidade da tradição como objeto diante de nós e insiste na não soberania sobre os próprios preconceitos, oriundos de um fundo histórico que não pode ser integralmente conscientizado, descrevendo tal processo como Wirkungsgeschichte.
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Destruição heideggeriana da tradição.
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Não disponibilidade plena da tradição.
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Trabalho da história como Wirkungsgeschichte.
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Limites da reflexão consciente.
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Duas diferenças tornam-se decisivas: enquanto Heidegger sublinha a necessidade de destruição da tradição,
Gadamer destaca sua fecundidade e a distância temporal, e, além disso, redefine a relação entre Verstehen e Auslegung, pois, diferentemente da Auslegung heideggeriana orientada pela Aufklärung e pela transparência da interpretação,
Gadamer evidencia a opacidade da compreensão como evento histórico que não se deixa inteiramente explicitar.
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Fecundidade da tradição.
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Distância temporal como produtiva.
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Diferença entre Verstehen e Auslegung.
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Opacidade e Undurchsichtigkeit da compreensão.
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Ao insistir no trabalho da história, a hermenêutica de
Gadamer dirige-se contra a concepção instrumental e metodológica da compreensão típica da modernidade, segundo a qual o compreender seria operação submetida a normas técnicas, ressaltando que tal redução suprime a dimensão de acontecimento, surpresa e transporte próprios da compreensão, a qual não consiste em dominar e produzir resultados verificáveis independentes do observador, mas em ser interpelado, entrar em diálogo e deixar-se transformar pelo sentido que fala linguisticamente, fazendo da compreensão um evento universal do qual não há separação entre intérprete e conteúdo.
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Crítica à concepção metodológica moderna.
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Método insuficiente para descrever a experiência de verdade.
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Compreensão como diálogo e interpelação.
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Transformação do intérprete pelo sentido.
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Universalidade da hermenêutica e inseparabilidade do linguagem.