1. Não é aventurado considerar o século XX um século de ouro da filosofia, um de seus momentos estelares, no qual a riqueza, a variedade e a força criadora do pensamento atingiram elevadíssimos patamares, exigindo de um filósofo, para nele destacar-se e gravar seu nome além de êxitos momentâneos e modas passageiras, a capacidade de tocar os problemas de fundo de seu tempo, enfrentá-los de modo inovador e alcançar força expressiva suficiente para fazer pensar o leitor, tarefa que, felizmente, cumpre a história, e não o marketing, encarnando-a magnificamente a obra de Hans-Georg
Gadamer (1900-2002), cuja hermenêutica filosófica se afirmou como uma das correntes que melhor definem a filosofia do século XX, resistindo sem dificuldade à voragem pós-moderna do fim de século e aos novos campos da sociedade da informação.