O diálogo se distingue das afirmações escritas precisamente porque a linguagem falada, no processo de pergunta e resposta, de dar e receber, de falar em propósitos cruzados e de ver o ponto do outro, realiza a comunicação de sentido que, com respeito à tradição escrita, é a tarefa da hermenêutica.
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Descrever a tarefa da hermenêutica como entrar em diálogo com o texto é mais do que uma metáfora: é uma memória do que originalmente era o caso.
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Quando interpretada, a tradição escrita é trazida para fora da alienação em que se encontra e de volta ao presente vivo da conversa, que é sempre fundamentalmente realizado em pergunta e resposta.
Platão pode ser invocado para sublinhar o lugar da pergunta na hermenêutica, pois ele mesmo manifesta o fenômeno hermenêutico de modo específico, sobretudo em sua crítica à palavra escrita e em sua oposição ao tipo de interpretação textual cultivado pelos sofistas.
As cartas são um fenômeno intermediário interessante, uma espécie de conversa escrita que estende o movimento de falar em propósitos cruzados e de ver o ponto do outro, e a arte de escrever cartas consiste em não deixar o que se diz tornar-se um tratado, mas em torná-lo aceitável ao correspondente.
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O intervalo de tempo entre o envio de uma carta e o recebimento de uma resposta não é apenas um fator externo, mas confere a essa forma de comunicação sua natureza especial como forma particular de escrita.
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O aumento da velocidade do correio não melhorou essa forma de comunicação, mas, ao contrário, levou a um declínio na arte de escrever cartas.
A dialética de
Hegel como método filosófico, ao elaborar a totalidade das determinações do pensamento, representa a tentativa de compreender dentro do grande monólogo do “método” moderno o continuum de sentido que se realiza em cada instância particular do diálogo.
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Quando
Hegel se propõe a tornar fluidas e sutis as determinações abstratas do pensamento, isso significa dissolver e remodelar a lógica em linguagem concreta, transformando o conceito no poder significativo da palavra que pergunta e responde.
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A dialética de
Hegel é um monólogo do pensamento que tenta realizar antecipadamente o que amadurece pouco a pouco em todo diálogo genuíno.